Leandro Calixto
TV Press
Com 15 anos de carreira na tevê, Antônio Calloni tem seu trabalho reconhecido por público e crítica. Isso graças a Bartolo, o italiano batalhador de ‘‘Terra Nostra’’
Antônio Calloni está completamente à vontade em ‘‘Terra Nostra’’. E não é para menos. O ator é filho de imigrantes da cidade de Lucca, na região da Toscana e absorveu desde a infância toda a cultura e os hábitos italianos. ‘‘Foi a primeira língua que apreendi’’, orgulha-se o intérprete do Bartolo. Mas, ironicamente, Calloni nasceu no bairro da Liberdade, conhecido reduto da colônia oriental na capital paulista. ‘‘Mas só nasci lá. Fui criado no Planalto Paulista, Zona Oeste’’, ressalva o ator, que faz questão de manter viva a raiz italiana.
Na trama de Benedito Ruy Barbosa, Calloni conseguiu um destaque inédito nos 15 anos de carreira na tevê. Não foi à toa que foi considerado o melhor ator coadjuvante na eleição ‘‘Melhores & Piores 1999’’, promovida pela ‘‘TV Press’’, em que votam os editores de cadernos de televisão de Norte a Sul do país. ‘‘Quando comecei a gravar esta novela, senti que algo de especial iria acontecer. Interpretar o Bartolo está me dando a possibilidade de visitar o meu passado’’, conta o ator de 37 anos.
Embora Bartolo seja o personagem de maior repercussão, Antônio Calloni acredita que tenha desempenhado outros papéis à altura. Ele lembra dos episódios em que participou de ‘‘A Vida Como Ela ɒ’, adaptados a partir da obra de Nelson Rodrigues, e, principalmente, do republicano Lopes Trovão, na minissérie ‘‘Chiquinha Gonzaga’’. Ali, ele foi dirigido pela primeira vez por Jayme Monjardim, também diretor de ‘‘Terra Nostra’’. ‘‘Acho que foi o bom desempenho em ’Chiquinha’ que determinou minha escalação para a novela de Benedito’’, acredita o ator.
O Bartolo é o grande personagem de sua carreira na tevê?
Já participei de mais de dez novelas, mas acredito que este seja o personagem mais importante. Principalmente, pela repercussão. Mas gostaria de ressaltar trabalhos como o republicano Lopes Trovão, na minissérie ‘‘Chiquinha Gonzaga’’, que gostei muito de fazer. Foi um personagem rico e com uma intensidade emotiva muito grande.
Até que ponto ser filho de imigrantes italianos o ajudou na composição do personagem?
Para ser bem sincero, em tudo. O fato de eu ter apreendido a língua italiana em primeiro lugar, a cultura e a forma de agir dos toscanos me ajudaram a deixar o Bartolo com a cara de um típico italiano. Toda a influência que carrego desde que nasci está sendo importante para o sucesso do personagem. Mas o Bartolo vai além de ser um bom italiano. Ele é um grande ser humano. O que mais me fascina no personagem é a relação com a mulher Leonora, vivida pela Lu Grimaldi. É uma relação de amor maduro e estável. Diferentemente dos outros casais, que ainda estão descobrindo o amor.
Você está surpreso com a repercussão do Bartolo?
Acho incrível como o público se identifica com o Bartolo. É legal porque este trabalho está fugindo daquele negócio de só dar autógrafo ou tirar fotografia. Está tendo uma resposta do público em termos de depoimentos. As pessoas percebem que o Bartolo não fica feliz somente com a esmola do patrão. O Bartolo quer plantar em sua roça. Ele quer a terra prometida e progredir profissionalmente e isso gera uma identificação muito grande com o público.
Uma das poucas críticas que a novela sofreu foi a de misturar o idioma italiano com o português. Como você vê isto?
Isto foi discutido no início da novela. Mas acho que a solução encontrada pelo Benedito Ruy Barbosa e pela direção da novela foi perfeita. Colocar legenda seria impossível, pois acredito que afastaria o público. Já adotar o idioma italiano puro também seria desnecessário e inconveniente. O público não iria entender a história. Tinha de fazer isto mesmo: o de misturar as duas línguas. E o que percebo pela reação do público é que a medida adotada foi a mais acertada. Vejo as pessoas nas ruas falando algumas palavras em italiano. Este é o maior reflexo de que o trabalho está dando certo.
O fato de ninguém saber se vai participar da segunda fase de ‘‘Terra Nostra’’ não cria uma ansiedade desnecessária em toda equipe?
Realmente, a gente fica meio sem rumo. Mas, quando fomos escalados para participar da novela, já sabíamos que o trabalho poderia se estender por mais de um ano. Por isso, todos procuraram não se comprometer com outros projetos profissionais dentro da tevê. Mas já ouvi dizer também que este elenco pode ser mantido em todas as fases. Existe a possibilidade dos personagens envelhecerem gradativamente com os mesmos intérpretes. Particularmente, gostaria muito de ficar até o final da novela.
Você já ganhou vários prêmios pela atuação em ‘‘Terra Nostra’’. O que esses prêmios significam para você?
Aqui no Brasil, ganhar um prêmio significa ter o trabalho reconhecido. Bem diferente do que acontece nos Estados Unidos, onde o salário de um ator que ganha um Oscar triplica. Mas acho importante qualquer que seja a premiação. Mostra que o trabalho está tendo um retorno.
Você não fica preocupado em fazer apenas papéis coadjuvantes?
Para ser bem sincero, quando sou escalado para interpretar um personagem, penso em primeiro lugar fazer um bom trabalho. A importância do personagem na história é uma consequência. Nunca tive a pretensão de ser protagonista.