''O carro não é simplesmente um meio de locomoção, como certas pessoas particularmente ingênuas poderiam pensar. A invenção do carro não foi também um passo gigantesco no caminho do progresso, como os publicitários querem nos fazer crer.
Não, o carro é um instrumento de poder e destruição. Ele é inimigo dos seres humanos: não somente porque ele os mata (pedestres imprudentes, transeuntes distraídos, vítimas de assassinos comuns, os motoristas), mas também porque ele os deforma, os desfigura, os nega uma pessoa ao volante não é mais um ser humano.
Pegue uma pessoa comum, pacífica, reservada e habitualmente calma. Meta-lhe entre as mãos um volante e sob os seus pés um acelerador. Lance-a em um engarrafamento, por exemplo, numa rua movimentada às 6 horas da tarde. Olhe para ela...Você não a reconhece mais? Mas, no entanto, está ali, um bruto desumano, pálido, interpelando os outros automobilistas a golpe de insultos obscenos e rabugentos...Ela amedrontou você? Acrescente-lhe um celular e terá triplicado seu poder de matar. É como se você desse um revólver a alguém...Raros são aqueles que irão se recusar a se servir dele.''
(Trecho do texto de Caroline Granier)

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