Abaixo a sucessão de MONÓLOGOS
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sábado, 16 de junho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para a amante, o demônio escolheu a morte, preferindo viver com ela nos maiores pesadelos humanos, que se mostram sem pudor algum no sexo, nas ruas e em qualquer esquina. ''É uma coisa que nos rodeia o tempo todo'', resume Hugo Rodas, um dos mais importantes diretores do teatro brasileiro, uruguaio que há 32 anos escolheu Brasília como companheira.
Rodas dirige a peça ''Adubo ou a Sutil Arte de Escoar pelo Ralo'', com o grupo Tucan (Teatro Universitário Candango), que durante três dias nesta semana, participou do 39º Festival Internacional de Londrina (FILO) .
''Adubo ou a Sutil...'' é um sucesso de crítica, encantando desde a atriz Fernanda Montenegro à coreógrafa Debora Kolker. A peça é sustentada, principalmente, pelo trabalho vigoroso dos atores André Araújo, Juliano Cazarré, Pedro Martins e Rosana Viegas.
''Antônio Abujamra ficou surpreso com os atores do elenco. Não dá para destacar nenhum deles em especial. Isso para mim foi o maior elogio como formador '', afirma Rodas que reuniu na produção formandos em artes cênicas da Universidade Nacional de Brasília (UnB), instituição em que leciona há mais de 15 anos.
O texto é inspirado em Charles Baudelaire (1821-1867) e Epicuro, que viveu 400 anos antes de Cristo. Esse é o endereço da comédia, que circunda também na tragédia, deflagrada com a morte do cachorro de um dos personagens. ''Acho importante destacar a estrutura do espetáculo. São algumas histórias unidas por uma mesa de bar'', ressalta Rodas, acrescentando que o boteco é o pai das filosofias baratas.
A maioria dos atores trabalhou com Rodas na Companhia dos Sonhos, sendo alunos do curso de Teatro da UnB. ''Houve uma relação de confiança absoluta, sempre centrada neles e na criação deles'', completa o diretor. Além de Abujamra, a estante de trabalhos de Rodas também coleciona peças com José Celso Martinez Corrêa, no Teatro Oficina, olhando a interpretação como movimento, sendo experimental.
Sobre o teatro brasileiro, Rodas diz que está se transformando em uma sucessão de monólogos. ''Gosto do trabalho de grupo, com pessoas que trocam. Por isso admiro o que acontece fora do eixo Rio/São Paulo em que as pessoas ainda continuam fazendo teatro de grupo. Acredito que o nosso teatro ainda nasce de grupos de atores, que se juntam e criam coisas.
Brasília é quase parte do corpo do diretor, que não consegue pensar em si mesmo sem a cidade. ''Não conseguiria sobreviver no Rio, por exemplo, uma selva que não me interessa nada. Brasília me devolveu a tranquilidade, com a alma no horizonte. Isso para mim é vida'', conclui Rodas.


