Abaixo a competição
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Celina Alonso Az De Maringá 
Marcos NegriniBeto do Cavaco e George Faria: de Roraima para o FemucicUm desfile de música popular brasileira produzida em vários pontos do País. Música de todo o tipo, para um público que quer conhecer os sons que andam por aí, rodando, e que ainda são desconhecidos do grande público. O Festival de Música Cidade Canção (Femucic), que está fazendo 20 anos, começa hoje, às 21 horas, com entrada franca, no Teatro Regional Callil Haddad, em Maringá. Até o dia 31 serão apresentadas 60 composições - 20 por noite. Só que, diferente de outros festivais, este não é competitivo.
O nome Festival é só para manter a tradição de festa da música porque na verdade há dois anos que o evento virou uma grande mostra da MPB, informa o diretor do Sesc de Maringá, Antonio Vieira, um dos organizadores da mostra. Há exatamente 20 anos aconteceu o primeiro Femusesc, que já em 1978 virou Femucic, com o apoio da Prefeitura e da TV Cultura de Maringá. Foram gravados quatros discos do Femucic, em anos diferentes, com os primeiros colocados. A partir de 1993 os organizadores decidiram transformar o Festival em Mostra para poder ampliar a participação. O resultado foi o que se esperava. Começaram a chegar composiões de outros Estados que ainda não participavam. Para esta edição do Femucic foram selecionadas 60 músicas. Durante 12 noites a diretora de Cultura Dina Dólis, da Secretaria de Esportes e Cultura de Maringá, e mais sete integrantes da comunidade maringaense ligadas às comunicações e artes, escutaram 487 canções inscritas. Tem de tudo um pouco, mas o que há mais é MPB pura, sertanejas de raiz, sambas e muito pouco rock. Tudo de muito bom nível artístico, conta Dina Dólis, que já participou de várias edições apoiando o Festival.
Os participantes da mostra que chegam de outros Estados recebem dos organizadores hospedagem, alimentação e uma ajuda de custo de R$ 300,00. Os do Paraná recebem R$ 200,00 e todos ganham ainda um troféu pela participação.
Viola nas costas O cearense George Faria, 33 anos, é professor de piano e violão, é regente de um coral infantil e toca na noite de Roraima. Ele trouxe na bagagem o CD George Faria para ser lançado na Cidade Canção. Faria participa do Femucic com duas composições: Renda de Amor, que fez com Eliakim Rufino, uma releitura de Mulher Rendeira e Teu Ritmo, um blues, de sua autoria. Sou um garimpeiro de festivais pelo Brasil, mas o de Maringá é diferente porque além de ser um espelho para nós compositores, tem a participação de uma platéia atenta que gosta de ouvir música. Ele viajou de Roraima para Maringá, mas disse que fez sem sentir porque aqui, ao contrário de outros festivais, não tem rivalidade. É muito difícil classificar uma música, dizer que fulano é o primeiro ou o segundo, essa competição não é interessante quando se fala em música. Em Maringá o que acontece é uma grande festa da canção, diz o músico George Faria.
Beto do Cavaco é o nome artístico do paulista Norberto Lemos Filho, que participa do Femucic pela primeira vez. Ele veio com a equipe de Roraima, onde reside há 13 anos. Já tenho no currículo mais de 40 festivais, mas este aqui faz uma diferença enorme porque não é competitivo. Nos outros a gente acha um ambiente sem amizade, todo mundo se pega por picuinha e uns até boicotam o trabalho do outro. Aqui o clima é de pura amizade e de amor pela música, declara Beto do Cavaco. Ele participa com Doce Lembrança, um samba romântico que fez pensando em Airton Senna, e com Canto de Pescador, um samba de roda.
De hoje a sábado estarão sendo apresentadas músicas de 15 Estados brasileiros, de norte a sul, o que dá uma noção do que se anda produzindo pelo País. Todos os músicos serão acompanhados pela Banda Metrópole que há oito anos acompanha o Festival.


