Abaixo a censura no humor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Uma reflexão bem-humorada sobre a atual censura no humor é o que promete o show-protesto ''Humor Sem Censura'', que acontece neste sábado, às 21 horas, no Cemitério de Automóveis. Em cena, o comediante de stand-up comedy Márcio Américo, acompanhado de mais cinco companheiros desse estilo de comédia que virou boom no Brasil: Fernando Borghi, Paulo Deodato, Arthur Santana, Marcelo Sagara e Fillipe Câmara.
Segundo Américo, o evento temático é o primeiro do gênero no Brasil. O mais próximo disso ocorreu no ano passado, quando um grupo de humoristas do Rio de Janeiro fez um protesto contra a lei que proibia sátiras a políticos durante as eleições, sendo que a lei acabou sendo revogada.
Motivado por polêmicas recentes envolvendo comediantes - como Danilo Gentili que foi acusado de fazer apologia ao nazismo ao dizer que a última vez em que os moradores do bairro nobre de Higienópolis, em São Paulo, andaram de trem eles foram direto para o campo de concentração de Auschwitz ou o comediante Ben Ludmer que foi agredido no palco após fazer piada sobre a própria mãe -, Américo defende que as pessoas precisam reaprender a rir.
''O riso exige um exercício de raciocínio. É necessário entender a piada para rir, e parece que as pessoas estão perdendo essa capacidade'', lamenta. ''No caso da história do Danilo, na verdade ele estava fazendo uma crítica aos moradores ricos de Higienópolis que estavam sendo contra a instalação do metrô no bairro nobre'', explica. ''É preciso entender o conteúdo da piada, que tem o direito de abordar qualquer tema, fazendo uso da metalinguagem do humor, desde que não ofenda'', acrescenta. Além disso, na sua opinião, o conceito do politicamente correto é para promover a igualdade entre as pessoas, e não a censura aleatória.
Sobre a recente polêmica envolvendo o comediante Rafinha Bastos, que afirmou durante o programa CQC que ''comeria ela (a cantora Wanessa Camargo, que está grávida) e o bebê'', Américo afirma que a piada foi de mau gosto, apesar de até poder ser interpretada como uma maneira ''meio torta'' de chamá-la de gostosa durante a gravidez. ''Agora chamá-lo de pedófilo é demais. Ninguém com o mínimo de inteligência deveria interpretá-lo dessa forma e parece que a Wanessa, com a ação judicial, comprou essa ideia absurda'', avalia. ''Infelizmente, no Brasil, levamos os humoristas a sério e os políticos na brincadeira'', pontua.
Ocupando nos últimos cinco anos no Brasil um espaço que parece ter sido deixado vago pelo teatro, o estilo stand-up comedy vem conquistando novos adeptos. Dos 'entertainer' que faziam pequenas aparições nos anos de 1900 durante a troca de cenários de espetáculos teatrais aos grandes comediantes, o gênero veio para ficar. ''Acho que grande parte do sucesso se deve à relação direta com o público, à linguagem digerível, que não se apega à necessidade de uma trama ou personagem para ter sentido. No stand-up, o comediante vai de cara limpa, mas com o texto pronto e decorado. Engana-se quem pensa que tudo é improvisação. Esse tipo de piada é como um haikai, exige métrica e uma palavra colocada no lugar errado acaba com o sentido da piada'', pondera.
Serviço
- Humor Sem Censura - Show-protesto de stand-up comedy com Márcio Américo e convidados
Quando - Sábado, às 21h
Onde - Cemitério de Automóveis (R. João Pessoa, 103)
Quanto - R$ 10


