A Zoomp se rende ao básico
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terça-feira, 08 de abril de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pouco glamour e muita aglomeração marcaram a primeira noite da oitava edição do Crystal Fashion, anteontem à noite, em Curitiba. A apresentação de estréia coube à paulistana Zoomp que, assim como outras marcas, sente os reflexos da crise econômica que atingiu em cheio as empresas que lidam com moda.
O resultado desse processo são vendas cada vez mais fracas e um empobrecimento do processo criativo. Com mais de 20 anos no mercado e qualidade, principalmente no desenvolvimento da modelagem dos jeans, a Zoomp parece que anda com medo de arriscar já faz algum tempo.
Nesta coleção, mostrada em Curitiba e já apresentada ao Brasil, no verão, no São Paulo Fashion Week, novamente a grife se rendeu ao básico. Uma escolha, por um lado, bem feita. Quem embarcou fundo na onda do militarismo, por exemplo, agoniza o fato de estar usando uma roupa de ''mau gosto'' frente à ignorante guerra entre Estados Unidos e Iraque.
E para quem está com medo de não vender (o que parece ser uma síndrome de pânico da indústria da moda) até que a grife agiu com parcimônia. Somente agora, depois das roupas nas lojas, é que dá para ver mesmo o que vende e o que deve ficar atulhando os estoques.
Nesse ponto, o tecido flúor que a Zoomp desenvolveu para esta coleção e que abriu o desfile vende? Será que tem gente comprando peças que só devem ser usadas uma vez ou outra? Dá para refletir muito sobre o assunto em torno do que a elite brasileira quer consumir.
A Zoomp mostrou anteontem que está numa fase mais masculina. Com exceção da estampa criada para as blusas femininas de seda e pelos tricôs, que devem ser influência de uma das estilistas da grife, Alice Capella, o resto todo soa muito igual ao que já foi feito antes.
Já os homens ganham boas versões de bolsas e roupas de couro envelhecido, o que mostra que a Zoomp anda abatida, mas não está morta. E está com uma leve cara de Louis Vuitton nesses looks.
Mas quem se importa com isso?
Na real o que menos importa para quem vai assistir um desfile do Crystal Fashion são as roupas que estarão nas passarelas (a que o povo está vestindo todo mundo repara). A garotada que estava lá, histérica por assim dizer, queria mesmo era ver Thiago Fragoso desfilar para a Zoomp.
O personagem Estevão da minissérie global ''A Casa das Sete Mulheres'' deixou todo mundo ouriçado. As meninas, de máquinas em punho e gargantas afiadas, provocavam nervosismo em quem estava por perto, tentando ver o desfile sobre outra ótica.
Para Fragoso foi uma espécie de consagração. Uma volta ao panteão da fama. Ele, que em outra novela, interpretou um personagem drogado e degredado, estava com aquele brilho no olhar de quem foi realmente resgatado de uma situação de risco.
Como alguns papéis acabam por marcar artistas para a vida inteira, numa visão polarizada, o gato, de cabelos longos e cacheados, passou de demônio a anjo no imaginário das adolescentes brasileiras.


