A voz oficial
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
DivulgaçãoCarlos Marassi com Regina Duarte à la Viúva PorcinaNos tempos em que o Jornal Nacional era precedido de um telejornal regional, o rosto do locutor Carlos Marassi multiplicava-se todas as noites em milhares de telinhas pelo Paraná afora. No horário do almoço lá estava ele novamente, apresentando o noticiário do meio-dia. O público nessa época tinha fascínio especial pelas figuras públicas que apareciam na TV. Marassi, jovem e bonito, passou a ser convidado para apresentar convenções, bailes de debutantes e todo tipo de evento que precisasse de uma voz marcante.
Há alguns anos longe das câmaras, Carlos Marassi continua trabalhando ativamente nos microfones, agora, porém, com um currículo que poucos podem ostentar. Acabei me especializando como mestre-de-cerimônias, conta o apresentador. Foram tantas as cerimônias oficiais das quais participou que aprendeu as rígidas normas que regem eventos do gênero. Nesse terreno dificilmente Marassi tropeçaria numa gafe.
Pode-se dizer que o início da carreira guarda suas raízes nas terras (ou ondas médias e curtas) em São João do Caiuá, onde ainda moram os pais de Marassi. O pequeno Carlos gostava muito de rádio, e sonhava em trabalhar numa emissora como o irmão mais velho, Edson, que a essas alturas estava em Curitiba, na Rádio Emissora Paranaense (mais tarde a Universo).
Trajetória Aos 15 anos, o garoto veio para a capital fazer o Científico, e assim ingressou no mundo mágico do rádio. Mas o primeiro contrato como locutor foi assinado nas férias escolares daquele mesmo ano (1968) em Paranavaí. Ao vencer um teste na Rádio Cultura tornou-se funcionário da estação: fazia locução, redigia, entrevistava e era disc-jóquei.
Retornou a Curitiba um ano e meio depois, para ocupar os microfones da Rádio Clube Paranaense, que ainda vivia o auge de sua fama. Em 1971 estava na televisão, sob o signo da Globo. O dono da voz expôs também o rosto a partir de então, daí choveram convites para apresentar bailes de debutantes e outras festas. Sempre tive a perspectiva de que era uma coisa passageira, nunca deixei me levar pelo estrelato, comenta.
Por ter uma atitude de seriedade com a profissão marcou seu espaço. Outros passaram, eu fiquei, observa. As paixões que costumam acontecer envolvendo imagens públicas, incomodaram Marassi. Algumas fãs trouxeram problemas, admite, mesmo não tendo ocorrido nenhum envolvimento mais íntimo. Quem está exposto na televisão corre esse risco, mas é uma coisa que você tem que administrar, senão acaba se arrebentando.


