Curitiba - Se depender da cantora Alcione, o samba não vai morrer tão cedo. Ela acaba de gravar o seu segundo disco ao vivo, uma espécie de continuação do tributo aos seus 30 anos de carreira. No novo disco, ela inclui um de seus maiores sucessos ''Não deixe o samba morrer'' (Edson/Aluísio) além de parcerias que marcaram a sua carreira. Com Alcione Ao Vivo 2 (Indie Records), lançado concomitante ao DVD homônimo, a cantora e trompetista pretende repetir o sucesso do primeiro disco, que já vendeu meio milhão de cópias.
Em entrevista à Folha, por telefone, Alcione fez questão de frisar que o segundo disco ao vivo não se trata de um rescaldo do primeiro. ''São tantas as minhas memórias e músicas que para falar de toda a minha carreira seria preciso mais uns cinco discos'', brinca. Cantora e trompetista, nascida em São Luís do Maranhão, Alcione aprendeu música ainda criança com o pai, maestro da banda de polícia local.
Ela tinha 20 anos quando se mudou para o Rio de Janeiro e começou a carreira cantando e tocando trompete em boates de Copacabana. Excursionou pela Argentina e Chile, mas ainda voltou ao Brasil antes de partir para uma turnê na Europa que durou dois anos. Retornou ao País no início da década de 70 e em 1975 ganhou o seu primeiro Disco de Ouro pelo LP ''A voz do samba''. O primeiro de cerca de 20 que marcariam a sua carreira.
''Nesses 31 anos da minha carreira, o mercado melhorou muito. A música brasileira passou a ser mais executada e ganhou mais espaço. Hoje, vejo muitos jovens em meus shows'', diz a cantora, que está em turnê pelo Brasil e África. Do mercado musical nacional, Alcione só reclama da pirataria ''que está rachando o mercado ao meio''. Mas isso não desestimula a cantora, que está cada vez mais dedicada a difundir a música brasileira.
Ela confessa que sempre gostou de cantar músicas românticas, mas não deixa de beber da fonte de outros ritmos. ''Para cantar não precisa pedir permissão, não precisa pedir desculpas'', diz.
Essa diversidade pode ser vista em seu novo disco. Além da conhecida ''Não deixe o samba morrer'' (gravada em parceria com Cássia Eller) fazem parte do repertório de Alcione ao Vivo 2 os hits ''Ou ela ou eu'' e ''Gostoso veneno''. Também estão no disco sucessos como ''Retalhos de cetim'', de Benito de Paula e músicas do início de sua carreira (''Tambor de crioula'' e ''Cajueiro velho'').
O disco reserva ainda algumas surpresas, como a participação especial de Jamelão, o ícone dos cantores da noite. ''Sempre tive medo de chamar o Jamelão para cantar comigo e ganhar um sonoro não, mas ele veio com prazer e deu um show'', conta Alcione. Juntos eles cantam ''Nunca'' e ''Vingança'', a primeira escolhida pela cantora e a segunda pelo próprio Jamelão. Eles também são parceiros em ''Os dez mandamentos'', repertório da Mangueira escolhido por Jamelão.
No CD, Alcione também retoma o trompete, instrumento que abandonou quando começou a fazer sucesso como cantora, para fazer uma homenagem especial à dona Zica, viúva de Cartola e matriarca da Mangueira. Só com seu trompete e um surdo, Alcione toca ''As rosas não falam'', uma das mais belas canções do disco.
O show ainda não tem data para acontecer no Paraná. Mas para mostrar o repertório do novo disco em Curitiba, Alcione adianta que a sua produção está em negociação com o Teatro Guaíra. ''Nunca cantei nesse teatro, mas me apaixonei pelo espaço quando assisti a um show do Gilberto Gil'', revela.

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