A tensão necessária já estava construída há muito tempo, e a explosão sonora dos nova-iorquinos do Strokes - principal atração do Festival Planeta Terra 2011 - não deixou ninguém parado. Depois de seis anos sem tocar no Brasil, a banda abriu o seu setlist com ''New York City Cops'', clássico instantâneo do álbum This is It (2001), responsável por revelar o grupo para o mundo. A sintonia foi imediata, e um coro avassalador de milhares de vozes foi constante durante todo o show.
Julian Casablancas, líder do grupo, subiu ao palco com um visual cool (jaqueta de couro, óculos escuro e tênis colorido) e mal conseguiu disfarçar a surpresa pela empolgação da plateia com ''Macchu Picchu'' -terceira música do setlist e que abre o álbum Angles, lançado neste ano pela banda. Arriscando em português ''Obrigado!'' e ''Como estão?'', Casablancas falou pouco; o líder do Strokes nunca foi muito bom em discursos, e parecia não querer estragar o momento conversando por tempo demais.
''Vamos lá, pessoal, não me deixem falando sozinho, vamos tocar'', comentava, brincando, com os outros membros da banda, entre uma canção e outra. Emendando hit atrás de hit, o Strokes tocou 19 músicas durante uma hora e meia de show, nove delas sucessos retirados do primeiro - e icônico - álbum da banda nova-iorquina.
''Eu não falo português mas... não sei o que falar. Vocês são ótimos, a noite está linda, a lua brilhando. Garotas maravilhosas, obrigado pelo lindo cartaz'', declarou um venerado Casablancas, apontando para um grupo de fãs frenéticas, que carregavam uma placa ''Julian, we need a hug'' (Julian, precisamos de um abraço).
O imenso calor do público também foi concedido para Fabrizio Moretti, baterista e integrante brasileiro do Strokes. Em um dos momentos marcantes do show, Casablancas levou o microfone até a parte de trás do palco e entregou para o baterista. ''Vamos lá, fale para o seu povo!'', convocou Julian. Fabrizio, não acostumado com tanta aclamação, soltou apenas um ''Brasil, te amo'', antes de se esconder novamente atrás dos pratos.
Sem parar de pular e cantar durante nenhum minuto, o público do Planeta Terra mereceu alguns presentes especiais na apresentação - uma bandeira do Brasil, jogada no palco, cobriu o amplificador da banda, e o bis, tocado de maneira inédita, mostrou um momento intimista que não faz parte da maioria das apresentações do Strokes; a voz rouca de Julian ecoava, acompanhada apenas da guitarra, cantando os primeiros versos da faixa ''Under Control''. O momento foi impactante, e fechou com chave de ouro um show que beirou a perfeição técnica e - mais importante - emocional, esgotando a plateia em todos os sentidos.
Esse foi o abraço da banda para o público brasileiro, marcando uma perfomance histórica. Em quase duas horas de show, o grupo mostrou as razões pelas quais é considerado o mais importante do século 21. A música do Strokes vai muito além de letras e melodias bonitas; é o grito de angústia da geração 2000, que cresce deprimida e trancada em apartamentos; é o rock, vivo, forte e atual. (R.C.)

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