Marcelo AlmeidaHelena Kolody (na foto, ao lado de Paulinho Lima) : ‘‘Meu Deus, estarei gravando um disco que nem sei como mexer’’‘‘Os versos mais famosos de Helena Kolody, citados até por aqueles que nunca leram Helena, cabem em duas linhas: ‘‘Para quem viaja ao encontro do sol,/ é sempre madrugada’’ . Pois este e outros poemas estarão impressos em disco, com lançamento previsto para o mês de dezembro. O CD foi gravado na segunda-feira e ontem, num estúdio da cidade.
Não eram exatamente estes os planos de Paulinho Lima, produtor e autor do projeto ‘‘Poesia Falada’’, do selo Luzes da Cidade, quando chegou em Curitiba na quarta-feira da semana passada. Ele veio do Rio de Janeiro com a intenção de manter contato com Helena, mas bastou conhecê-la na manhã de sexta-feira para dar outro rumo ao destino. Cancelou todos os compromissos no Rio e permaneceu na cidade.
‘‘Não poderia perder esta oportunidade. Seria muito difícil para mim ficar indo e voltando’’, disse à Folha2. A jornalista Lúcia Camargo, presidente da Fundação Rádio e Televisão Educativa, que fez a ponte entre o produtor e a poeta, estava presente à reunião, no apartamento de Helena.
Emoção‘‘Foi um encontro mágico’’, descreveu. ‘‘Helena foi da maior gentileza com Paulinho, declamou para ele, contou causos , mostrou as fotos dos familiares, de quando era jovem. Até mesmo o discurso que iria ler em Cruz Machado (na sessão de entrega do diploma de Cidadã Honorária). E concordou em dizer, ela mesma, seus poemas’’.
Helena Kolody, emocionada com as homenagens dos conterrâneos que ocorreriam no domingo, juntou ao peito uma nova emoção - o CD. ‘‘Meu Deus, estarei gravando um disco que nem sei como mexer’’, dizia encabulada. Sugeriu que a professora Cassiana Lacerda fizesse a seleção dos poemas. ‘‘A gente nunca é suficiente. Acha sempre que deveria ter feito melhor’’.
Aproveitou para contar do ranchinho de pau-a-pique, onde nasceu. A mãe contava-lhe que era um bebê calmo. Acordava com o cantar dos passarinhos, e não chorava. Ficava prestando atenção aos ruídos. Talvez por isso seus poemas sejam repletos de pássaros, imagina.
ÍconeO baiano Paulinho Lima, além de produtor, é também letrista. Tem músicas gravadas na voz de diversos cantores, inclusive de Marina Lima. Foi como letrista que ele veio anos atrás a Curitiba dar um curso na Oficina de Música. Um dos exercícios consistia em criar um samba exaltação sobre a cidade. Numa pesquisa com os alunos, pediu a eles que citassem os ícones locais. Entre outros nomes estava o de Helena Kolody.
Ao pensar em incluir um poeta paranaense na coleção - até agora com dois títulos lançados, de Gregório de Mattos e de Antonio Cícero -, consultou a amiga Lúcia Camargo que indicou Helena. Um segundo telefonema foi feito, desta vez para o professor Wilson Martins. Repetiu-se a escolha.
‘‘Espero que com este disco a poeta venha a ser um nome nacional, principalmente por sua obra, que é muito boa’’, comentou Lima. Antes de encontrar-se com Helena na sexta-feira, Paulinho Lima fez nova pesquisa em Curitiba, desta vez entre os leitores, para saber se gostariam de ouvir os poemas de Helena nas vozes de atores famosos ou na de sua criadora. Descobriu que todos, sem exceção, preferiam ‘‘Helena Kolody por Helena Kolody’’.

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