A voz da comunidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de abril de 2014
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
Desde que foi criado, ainda no século XIX, o rádio tornou-se fonte de informação, lazer e entretenimento que atinge multidões de ouvintes em todo o mundo. Em alguns casos, as ondas sonoras emitidas por esses equipamentos que resistem ao tempo acabam se tornando também o principal veículo de propagação de culturas locais. Atividade que é exercida com bravura e muita luta por diversas rádios comunitárias espalhadas pelo País.
De acordo com a Associação Paranaense de Rádios Comunitárias, estima-se que somente no Paraná existam atualmente 250 emissoras deste segmento. Uma das pioneiras é a Rádio Nova Geração, localizada em Jataizinho - município com cerca de 12 mil habitantes. "As rádios comunitárias começaram a surgir oficialmente no País em 2001, depois da aprovação da Lei 9.612, em 1998, e a nossa rádio foi uma das primeiras a entrar no ar", afirma Odemir Briola, um dos fundadores da emissora.
Ele destaca que a rádio que transmite sua programação pela frequência 87,9 FM foi criada com o objetivo de suprir a carência de comunicação que existia na cidade. "Jataizinho não tem nenhum jornal local e até a inauguração da rádio todas as informações da cidade eram transmitidas apenas pelo alto-falante da igreja matriz", argumenta.
Briola destaca que além de ficarem sabendo tudo o que acontece em Jataizinho através da Rádio Nova Geração, os próprios ouvintes são responsáveis pela programação da emissora. "Na realidade, é o público que faz a rádio. Informamos sobre os eventos da cidade e transmitimos os mais variados tipos de recados dos ouvintes que nos ligam", esclarece.
De acordo com ele, o telefone da rádio toca com requisições variadas que vão desde algum pedido de ajuda até a divulgação de vagas de emprego. "As pessoas ligam pedindo cadeiras de rodas e muletas emprestadas, informam que acharam ou perderam documentos e pedem até ajuda para comprar alimentos quando estão passando por dificuldades. Essa é a essência de uma rádio comunitária", destaca Briola.
Apesar da participação maciça dos ouvintes, comprovando a audiência da rádio, Briola diz que ainda enfrenta muitos desafios para manter a emissora no ar. "A gente depende da ajuda financeira do comércio local para pagar os custos de energia elétrica, telefone e pagar o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, responsável pela cobrança dos direitos autorais das músicas tocadas pela emissora). Mas não podemos veicular propagandas, apenas citamos o nome e o endereço dos anunciantes e isso reduz nossos ganhos, que são muito pequenos e mal dá para pagar as despesas mensais. Por conta disso, conseguimos manter apenas o período das 8 horas ao meio-dia com programação ao vivo, que é apresentado pelo locutor Anderson Oliver. Os demais programas são gravados", justifica Briola.
O fundador da emissora afirma que, apesar dos desafios, é gratificante ouvir os relatos de agradecimento dos ouvintes que tiveram pedidos atendidos. "A gente acaba ficando emocionado em poder ajudar. Principalmente quando ocorrem enchentes na cidade. As pessoas ligam pedindo ajuda e toda a população se mobiliza através da rádio para socorrer as vítimas", ressalta.
Além da prestação de serviços, Briola destaca outra atividade relevante que é desenvolvida pela Rádio Nova Geração. "Todas as quartas-feiras transmitimos o programa "Adélia no ar", que é produzido e apresentado por alunos da Escola Estadual Adélia Antunes Lopes. A atividade envolve 20 estudantes que aprendem tudo sobre rádio no período de contraturno escolar."
Nosso sonho é ampliar esse programa para outras escolas da cidade e criar a "Rádio Volante", com programas ao vivo, transmitidos diretamente de espaços públicos como praças, campos de futebol e escolas. Dessa forma, poderíamos levar mais lazer e diversão para a população, além de dar espaço para apresentações de artistas locais. Estamos negociando com a prefeitura para viabilizarmos essa iniciativa", revela. A programação da Rádio Nova Geração também pode ser acessada pelo site: radiojatai.com.br.
LEIA MAIS
Rádios retratam o cotidiano dos bairros
Programação eclética cativa ouvintes


