A voz como instrumento
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quarta-feira, 18 de julho de 2018
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Não é de hoje que os programas de rádio e televisão para descobrir novas vozes fazem sucesso, vide a trajetória dos antigos shows de calouros que sempre tiveram seu público cativo. Há pouco mais de dez anos, no entanto, o Brasil passou a produzir versões nacionais de programas de TV com a mesma receita no mundo todo, como "Fama", "Ídolos", "The Voice Brasil", além de "Superstar" (para bandas), sem falar no tradicional tupiniquim Programa do Raul Gil, que já lançou dezenas de cantores e duplas hoje conhecidas no mercado fonográfico. Na maioria destes programas, a fórmula é a mesma: dentre milhares de participantes, após várias eliminações, apenas um sai vencedor. Todas as apresentações contam com uma produção minuciosa com direito a luz, cenário, banda, além de figurino e maquiagem impecáveis.
A voz, por sua vez, é o principal elemento analisado pelos jurados e também tem todo um aparato por trás. Fonoaudiólogos, médicos otorrinos e preparadores vocais formam uma equipe pronta para lapidar e melhorar as condições técnicas dos participantes. Um desses profissionais é a cantora e preparadora vocal Tutti Baê que, por anos, esteve nos bastidores de alguns destes programas trabalhando com diversos artistas, incluindo crianças e adolescentes. Desde o começo da semana, ela está na cidade ministrando o curso "Canto na Música Popular: Técnica Vocal e Repertório" no 38º FIML (Festival Internacional de Música de Londrina), cujos alunos apresentar em conjunto o gênero negro spiritual Precious Lord (Thomas A. Dorsey), na próxima sexta-feira (20), às 18h30, no Centro Cultural Sesi/ AML.
"A voz é o instrumento do cantor. Por isso, é preciso que o artista conheça e entenda como funciona esse instrumento, sobretudo na utilização do ar combustível essencial para a produção da voz - para, assim, ter a melhor execução de seu potencial vocal. A técnica vocal vai ser a mesma para todos os tipos de vozes no canto popular, o que muda é a hora da execução da canção, já que cada uma tem uma concepção, uma rítmica", explica Baê referindo-se aos diferentes gêneros musicais. Nesse sentido, hoje, sua atuação é muito mais como vocal coach que como professora, já que, muitos dos que a procuram possuem anos de estrada e conhecimento. "Independentemente do timbre e estilo do cantor, meu trabalho é pontuar qual a melhor região do registro vocal para que elementos como a tecitura e a afinação possam ganhar destaque e precisão", detalha.
Nesse sentido, ela defende que não existe voz "feia ou bonita", mas timbres bem colocados e estilos diversos que devem ser respeitados. "O preparador precisa se desprender de seu gosto pessoal e auxiliar com muito carinho para que aquele cantor alcance o seu melhor no estilo musical desejado. Não quero discípulos, quero cantores de verdade", diz Baê. Para tanto, questionada sobre o excesso de volume, melismas e "firulas" usados por cantores destes programas de vozes, ela diz que este é um dos novos formatos dos gêneros atuais. "Por muito tempo houve preconceito neste estilo com mais constrição. Não podemos "chapar" todos num mesmo nível. Cantar bossa nova é diferente de samba, que é diferente de rock. Um é suave, outro com mais tônus, e o terceiro preciso de "drives". Todos, contudo, é necessário haver consciência da força muscular das pregas vocais, a chamada força mioelástica."
Trajetória
Tutti Baê escreveu três livros: "Canto Uma Expressão" (Princípios Básicos de Técnica Vocal), juntamente com Mônica Marsola; "Canto: Uma Consciência Melódica" (Os intervalos através dos vocalizes) e "Canto Equilíbrio entre Corpo e Som" (Princípios da Fisiologia Vocal), de sua autoria com Claudia Pacheco, em que traz informações sobre anatomia e a fisiologia da voz, o uso do apoio respiratório durante o canto, os ajustes articulatórios, além de exercícios de vocalizes. Atualmente, a cantora e compositora possui o estúdio Vox Music Studio, onde desenvolve suas habilidades como produtora de novos nomes da música. No segundo semestre, Tutti Baê se prepara para lançar três discos que fazem parte de uma coleção que passeia pela história da música de 1900 a 1970.
Serviço:
Vozes do Repertório de Música Popular 38º FIML
Quando: Sexta-feira (20), às 18h30
Onde: Centro Cultural Sesi/ AML
Quanto: Gratuito


