A volta dos zumbis
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de outubro de 2010
Claudio Yuge<BR> Equipe da Folha 
Imagine o seguinte: você acorda em um hospital, ainda meio atordoado devido aos remédios que vinha tomado enquanto estava inconsciente e, ao abrir os olhos, sente que há algo errado. Está sozinho, a enfermeira não atende ao chamado de socorro e o relógio parou. A sensação de solidão vai embora de um jeito nada agradável, quem deveria estar morto agora anda por aí atrás de carne humana. Esse é o panorama de ''The Walking Dead'', adaptação dos quadrinhos da Image Comics que vem fazendo barulho lá fora e estreia terça-feira no Brasil, às 22 horas, no canal pago Fox.
''The Walking Dead'' (leia mais sobre a série original no box) vem sendo alardeada por vários fatores, que vêm tornando a produção em um cult imediato. A primeira razão cai simplesmente no fato de que os apreciadores dos filmes de zumbis, em especial os de George Romero, são extremamente fiéis a esse tipo de material. A segunda é que a produção reuniu uma equipe capaz de reproduzir a perturbada dinâmica de grupo dos personagens junto de violência gráfica, em capítulos teoricamente ousados para o horário nobre.
São apenas seis episódios e logo nos primeiros minutos do piloto de 90 minutos (que vazou na web antes mesmo de sua premiere nos Estados Unidos), o protagonista Rick Grimes (Andrew Lincoln, de ''Simplesmente Amor'') é obrigado a atirar na cabeça de um ''walker'' (como chamam os desmortos) de apenas seis anos de idade. É a esse tipo de conflito moral, presente nas revistas, que os personagens são submetidos também na tevê.
A produção de Frank Darabont (de ''Um Sonho de Liberdade'' e ''À Espera de um Milagre'') teve supervisão bem próxima do criador Robert Kirkman e os zumbis ficaram muito parecidos com os criados pelo desenhista Tony Moore, claramente influenciado pelas proles de George Romero. A trilha sonora pouco presente se justifica pelo clima solitário do início da jornada de Grimes e a escolha de Lincoln para o papel parece ter sido acertada. Seu desempenho dramático dá o tom para a série, composta por personagens mais complexos do que parecem.
''Walking Dead'' vem em um momento no qual a tevê ainda não achou seu novo ''Lost'' e boa parcela do público não se contenta com ''True Blood'' (mais querido pela audiência feminina) e nem com o remake de ''V''. Muito menos com ''Vampire Diaries'' e afins. Certamente vai arrebanhar os seguidores de Romero (que já se mobilizam em ''Zombie Walks'', caminhadas lúdicas dos ''mortos'', em várias cidades pelo mundo todo), os já mais crescidinhos que se cansaram de Bella e Edward e talvez os órfãos de ''Lost''. Ou seja, a probabilidade de sucesso é grande. Boas notícias para a AMC, que já encomendou mais duas temporadas antes mesmo do debut desta.


