Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Quando esteve pela primeira vez na cidade, a trupe global da peça ‘‘D’Ar tagnan e os Três Mosqueteiros’’ foi muito vista e pouco ouvida, devido à exagerada tietagem
O perigo ronda o valoroso D’Artagnan e seus inseparáveis amigos mosqueteiros: o queridinho da vez nos corações das mulheres agora é Thiago Lacerda, o Mathew da novela ‘‘Terra Nostra’’. Com essa mudança na telinha da Globo e nos corações femininos, como é que ficam Rodrigo Santoro, Thierry Figueira, Marcelo Faria e Pedro Vasconcelos, protagonistas da peça ‘‘D’Artagnan e os Três Mosqueteiros’’, em cartaz neste final de semana no Guairão?
A bilheteria do teatro é que responderá. Tudo indica que a volúvel fascinação da platéia feminina já não é a mesma. Quando os rapazes estiveram aqui, entre 13 e 15 de agosto do ano passado, houve mais duas sessões extras. Foram vistos – e pouco ouvidos – por 10 mil pessoas. A histeria era tanta, a gritaria tão intensa e intermitente que mesmo os atores não conseguiam manter o diálogo em cena.
Nada disso acontecerá desta vez e dará oportunidade aos artistas de realmente mostrarem seu trabalho. A experiência de uma temporada de quatro meses no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, mostrou a Pedro Vasconcelos que o público dirigia-se ao espetáculo despreparado, mas era envolvido pela trama. ‘‘No final a garotada esquece que você é o Rodrigo Santoro e te chama de D’Artagnan’’, resumiu o ator que defende o papel-título.
Inspirada no célebre romance de Alexandre Dumas, conta a história de um jovem interiorano (D’Artagnan) que sonhava em ir a Paris para ser um dos guardas do Rei Luiz XIII. Mal sabia dos jogos de interesses na corte, e, nas armadilhas dos acasos, acaba sendo envolvido no festival de intrigas.
É aí, na vida palaciana, que conhece os amigos Athos (Marcelo Faria), Aramis (Thierry Figueira) e Porthos (Pedro Vasconcelos). Cada qual dono de uma história e uma personalidade completamente diferente dos demais. Formam um quarteto invencível.
‘‘D’Artagnan e os Três Mosqueteiros’’ foi escolhido por Marcelo Faria e Pedro Vasconcelos para se transformar no projeto que eles tinham em mente há algum tempo, de reunir um grupo de protagonistas, e não somente um ou dois. Pois bem, devoraram o romance do escritor francês, fizeram a adaptação e levaram dois anos batendo nas portas das empresas, tentando levantar R$ 60 mil para a produção.
A ambientação procurou ser o mais fiel da Paris do século XVII, quando se passa a ação. Para as lutas de capa-e-espada foram adquiridas espadas francesas de aço, que são réplicas das originais desse período. Os artistas estudaram esgrima durante cinco meses com o professor e ator Gaspar Filho.
O elenco é formado por 18 atores, que envergam sedas e veludos. Foram 450 metros de tecidos somente para os figurinos, na contabilidade dos produtores. Pedro Vasconcelos, além de atuar como um dos quatro cavaleiros, é também o diretor da peça.
Como o espetáculo é dirigido para um público jovem – censura livre –, ele trabalhou no sentido de dar dinâmica à encenação, numa linguagem contemporânea, mas sem experimentalismos. É o teatro tradicional, na explicação do quarteto.
Pode ser um mero detalhe, mas crucial para quem for ao Guairão: não será permitida a entrada após o início do espetáculo. Aos atrasados não haverá direito a troca de ingressos, nem devolução do dinheiro.
‘‘D’Artagnan e os Três Mosqueteiros’’, adaptação da obra de Alexandre Dumas, direção de Pedro Vasconcelos. Com Rodrigo Santoro, Thierry Figueira, Marcelo Faria, Pedro Vasconcelos e grande elenco. Sábado às 21 horas e domingo às 18 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 20,00 (preço único). Ingressos à venda no Shopping Total (via rápida do Portão) e na bilheteria do teatro. Informações pelos telefones 316-7275 e 200-1993.

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