ReproduçãoWinona Ryder e Sigourney Weaver, em ‘‘Alien - A Ressurreição’’Quatro filmes e quase 20 anos depois, a série ‘‘Alien’’ é um ótimo exemplo de originalidade. Desde o primeiro, ‘‘Alien - O Oitavo Passageiro’’ (Alien), lançado em 1979, os produtores da série adotaram um esquema inovador e bastante original para dar longa vida aos confrontos entre a tenente Ripley (sempre vivida por Sigourney Weaver) e os pavorosos monstros alienígenas de sangue ácido e baba gosmenta: Contratar um diretor talentoso e quase estreante para cada filme. Em 79, tivemos o inglês Ridley Scott, que logo depois se consagraria com ‘‘Blade Runner’’. Para a primeira sequência, ‘‘Aliens - O Resgate’’ (Aliens), realizada sete anos depois, em 86, a batuta foi entregue a James Cameron, o criador do ‘‘Exterminador do Futuro’’ e mais conhecido hoje como o diretor do vencedor do Oscar deste ano, ‘‘Titanic’’. Mais seis anos depois e o terceiro capítulo, ‘‘Alien3’’, de 92, é entregue ao jovem David Fincher, que pouco mais tarde seria respeitado pela direção do apavorante ‘‘Seven’’. O interessante é que o terceiro filme terminava com a morte de Ripley, que volta agora bem viva em ‘‘Alien - A Ressurreição’’ (Alien: Resurrection - EUA 1997), dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet.
A história de ‘‘Alien 4’’ começa 200 anos depois dos eventos ocorridos em ‘‘Alien3’’. Cientistas da Corporação conservaram em laboratório os restos mortais da tenente Ripley, que também continham DNA alienígena (para quem não lembra, ela ‘‘engravida’’ no terceiro filme). Muitas experiências com clonagem são realizadas até que eles conseguem ‘‘reviver’’ Ripley, que agora é um ser misto: possui em sua essência, DNA humano e alienígena. Além dela, são criadas novas formas de ‘‘aliens’’ e nesse ínterim, chega à estação-laboratório uma nave de contrabandistas e, como sempre acontece nessas horas, a coisa foge do controle.
Inicialmente, ‘‘Alien - A Ressurreição’’ deveria ter sido dirigido pelo escocês Danny Boyle (Transpotting), que recusou o convite. A Fox então contratou Jean-Pierre Jeunet, diretor de ‘‘Delicatessen’’ e ‘‘O Ladrão de Sonhos’’. Jeunet, que sempre trabalhou com ambientes claustrofóbicos e delirantes, revelou-se uma escolha acertada para o trabalho. ‘‘Alien 4’’ consegue ser um misto entre o primeiro e o segundo filme da série. Tem o perigo que pode estar escondido em qualquer canto da nave (como no filme de Scott), aliado a sequências de pura adrenalina (como no filme de Cameron). A forma como Ripley volta à vida é convincente e o mais interessante é que agora ela é um pouco ‘‘alien’’ também e em algumas situações você não sabe que lado ela está defendendo.
Completam o elenco dois atores habituais de Jeunet: Ron Pearlman (mais conhecido como a Fera, do seriado de TV ‘‘A Bela e a Fera’’) e Dominique Pinon (o baixinho de ‘‘Delicatessen’’). Além de Winona Ryder, que desde que assistiu ao primeiro filme da série é fã de carteirinha da tenente Ripley e quando o convite surgiu, ela aceitou de pronto. Winona é Call, uma andróide cuja missão é matar a nova Ripley. Uma das melhores cenas do filme é quando as duas se enfrentam e Ripley descobre que ela é uma andróide porque seu comportamento é ‘‘humano demais’’.
‘‘Alien - A Ressurreição’’ prova mais uma vez a coerência dessa série de filmes que, quase vinte anos depois de seu lançamento, continua sendo original, inovadora e assustadora.
• Alien - A Ressurreição (Alien: Resurrection - EUA 1997) - Direção: Jean-Pierre Jeunet. Com Sigourney Weaver, Winona Ryder, Ron Pearlman, Dominique Pinon e Brad Dourif. Distribuição: Fox. Duração: 108 minutos.

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