A face escura da lua, não é o esconderijo de um dragão, mas o nome de um monstro mitológico do rock, ''Dark Side of the Moon'', o álbum clássico do Pink Floyd que, volta e meia, faz alguns fãs entrarem na cratera do tempo para sair com o vinil do grupo embaixo do braço.
Nada de cheiro de fóssil. O vinil de uma das bandas mais emblemáticas do rock, que chegou a ficar 14 anos entre os mais vendidos, nos Estados Unidos, é um troféu para os aficionados pelo velho e bom bolachão, liderando o ranking dos mais comercializados também no Brasil.
Não são apenas os titãs do rock que estão provocando novos abalos sísmicos no mercado fonográfico com as suas pegadas que nunca se apagam - um mundo sob o impacto de um cataclismo chamado pirataria. Algumas bandas independentes estão migrando para a região dos vinis, que muitos pensaram se tornaria inóspita, mas que ainda é paradisíaca.
No Brasil, as livrarias Cultura e Saraiva investem nesse mercado, com vendas em lojas e on-line. A Cultura começou com parcos 10 títulos que hoje somam 600. Relíquias procuradas por alguns caçadores de tesouro que fez a Saraiva iniciar, em 2006, com 3 mil sugestões, ampliando a lista para 11 mil no catálogo. Mil títulos estão disponíveis para pronta-entrega e outros 10 mil podem ser encomendados pelo site www.saraiva.com
Numa luta de gigantes pelas primeiras colocações entre os mais vendidos, ''Dark Side of the Moon'' (Pink Floyd) bate em ''Thriller - 25th Aniversary Edition'' (Michael Jackson), que arrebenta com ''Joshua Tree: 20th Aniversary'', do (U2), que destroça ''A Love Supreme'', de (John Coltrane).
Nessa selva de pedra e uma porção razoável de plástico do vinil, o mercado fonográfico brasileiro - arrasado pela pirataria de CDs - ainda inclui entre os mais vendidos ''Who's Next'' (The Who), ''Ace of Spades'' (Motorhead) e ''Abbey Road'' (Beatles).
Quem são os caçadores dessas arcas que - de perdidas não têm nada -, resistindo ao aparecimento das novas tecnologias? A Saraiva economiza nas palavras ao afirmar que a paixão é um dos motores desse consumo. Um mundo que está sendo redescoberto ainda sob os escombros do que ficou da era CD.
A revista ''Rolling Stone'' americana trouxe matéria em que, de acordo com uma pesquisa da Nielsen SoundScan - uma instituição que monitora a movimentação da indústria fonográfica -, cerca de 1 milhão de LPs foram comprados, em 2007, contra 858 em 2006.
As vendas em 2008 podem subir para 1,6 milhão. Uma marcha que não é acompanhada pelo CD que, segundo a Associação da Indústria Fonográfica da América, caiu 17,5% durante o mesmo período.
Ao que parece o áudio límpido do CD não é suficientemente perfeito para agradar aos adeptos do vinil, que consideram que os bolachões têm variações mais precisas.
Debaixo de pilhas de CDs encalhados pela pirataria também repousa uma certa desilusão com o admirável mundo novo ainda recém-descoberto pela tecnologia, que parece não ser páreo suficientemente forte para uma espécie que muitos já julgavam em extinção, o vinil, um verdadeiro tiranossauro rex.

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