Johnny Winter condensa os melhores elementos da tradição da guitarra bluseira: timbres distorcidos, levadas cadenciadas e harmonias simples, com no máximo três acordes. Há 35 anos, Winter segue o mesmo estilo. Mesmo assim, nunca soa de maneira repetitiva. A nova prova da eterna transformação musical baseada na mesma base sonora do guitarrista está no CD ‘‘Live in NYC’97’’, lançado pela gravadora Virgin. O álbum confirma a tendência de Winter seguir a cartilha de T-Bone Walker - que praticamente criou os riffs de blues na guitarra - e de Steve Ray Vaughan - o mais virtuose dos guitarristas brancos já existentes.
‘‘Live in NYC’97’’ é o primeiro álbum em cinco anos com material inédito de Johnny Winter. O cantor branquelo e magricela de 50 anos, natural de Beaumont, no Texas, buscou fazer um disco que tivesse interação com o público. Winter colheu votos dos membros de seus fãs-clubes para escolher o repertório do show ao vivo, que se transformou no CD. O álbum foi gravado em duas noites, em abril de 1997, na casa de espetáculos Botton Line, em Nova York, Estados Unidos.
A produção do CD é excelente, com fotos do camarim, de Winter com a guitarra em punho e a fachada do teatro com os letreiros anunciando o show. Na verdade, Winter também se destacou na carreira como músico de apoio e colaborador. Como produtor, ele trabalhou no final dos anos 70 com o célebre cantor Muddy Waters, aclamado como o inventor do blues elétrico de Chicago. Winter conseguiu que o cantor voltasse à cena após anos afastado da mídia com os discos Hard Again, de 1977, e ‘‘I’m Ready’’, de 1978, o primeiro de uma sucessão de discos ganhadores do Grammy.
Winter começou a tocar clarineta com cinco anos. Logo estava tocando guitarra havaiana e, após alguns anos, descobriu a guitarra elétrica. Ao lado do irmão Edgard, ganhava competições e aparecia em shows de calouros das televisões texanas. Com 14 anos, formou a primeira banda: Johnny and The Jammers, com o irmão no piano. Logo ganharam notoriedade no Texas com os hits School Day Blues e You Know I Love You. Em 1963, Winter se mudou para Chicago e iniciou relacionamentos com os ídolos Muddy Waters, B. B. King e Bobby Bland. Em 1968, examinando a cena musical do Texas, a Rolling Stone nomeia Johnny Winter como ‘‘o item mais quente com exceção de Janes Joplin’’. Como bom cowboy, Winter passou impune pela fase sexo, drogas e rock-n’-roll dos anos 60 e 70 e prova, com ‘‘Live in NYC’97’’, que continua com munição.

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