ReproduçãoThe Beatles: nova versão do filme ‘‘Yellow Submarine’’ vai contar com oito ou nove faixas não incluídas no original de 1968A VOLTA DO
SUBMARINO
AMARELO
O filme Yellow Submarine, dos
Beatles, será relançado com
novas músicas no ano que vem
Nelson Sato
Vasculhar o baú dos Beatles foi, durante anos, uma aventura arqueológica passível de surpreendentes descobertas. Quando, com a série ‘‘Anthology’’, as escavações pareciam enfim concluídas, eis que anunciam o relançamento do filme Yellow Submarine (Submarino Amarelo) acompanhado de trilha sonora com ‘‘oito ou nove faixas a mais’’.
Por enquanto, a notícia circula em notinhas distribuídas pelas agências internacionais, embora se prepare uma grande campanha para promover o produto no ano que vem quando o desenho animado voltar às telas junto com o homevídeo, o CD e uma avalanche de quinquilharias temáticas.
Ampliar a trilha com músicas não incluídas na versão original pode ser uma idéia lucrativa e até um estímulo para a criação de um filão rentável, mas poderá deixar beatlemaníacos de cabelos em pé com a abertura do precedente. Já imaginou se começarem a revirar toda a discografia da banda relançando títulos a torto e a direito com faixas adicionais?
Bem, convém nem pensar nisso e aguardar mais informações sobre o projeto, mesmo porque a concepção original de Yellow Submarine parecia até uma obra aberta e bastante flexível para futuras mexidas com suas 12 faixas reunidas sem grande rigor. O disco foi produzido por George Martin e lançado em janeiro de 1969, seis meses depois da estréia mundial do desenho.
Das 12 faixas, seis eram composições instrumentais assinadas por Martin e seis eram canções dos Beatles, sendo que destas apenas quatro eram inéditas. Mas essas quatro eram, na verdade, sobras de estúdio de gravações anteriores: ‘‘Only a Northern Song’’ ficou de fora do álbum Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band; ‘‘All Together Now’’ e ‘‘It’s All Too Much’’ foram excluídas de sessões de 1967; e ‘‘Hey Jude’’ havia sido rejeitada em uma sessão de 1968.
O filme, por sua vez, é uma memorável relíquia dos anos loucos. Um marco para a simbologia do movimento hippie. Tornou-se, como escreveu Roberto Muggiati no livro A Revolução dos Beatles (editora Ediouro), ‘‘uma das melhores ilustrações do psicodelismo com suas cores e formas oníricas’’.
A inspiração do filme teria sido a primeira viagem de LSD de John Lennon, em cuja fantasia a casa de George Harrison se transformava num imenso submarino. A história é ambientada em Pepperland, a terra da música, que é invadida pelos Blue Meanies, monstrinhos azulados que detestam canções e atiram maçãs verdes contra os inimigos.
Fred, maestro da banda do Sargento Pepper, parte em seu submarino amarelo para pedir ajuda aos Beatles. Mas para chegar à Pepperland, os quatro rapazes de Liverpool enfrentam um tortuoso trajeto no qual atravessam o Mar dos Monstros e o Mar dos Buracos, encontram o Nowhere Man (o homem sem identidade), escalam latas de sopa, deliram com Lucy no céu e seus lisérgicos diamantes e passam por Eleanor Rigby para finalmente atingir o destino.
O filme foi dirigido por George Dunning e roteirizado por Lee Minoff (parceiro de Stanley Kubrick em ‘‘Doutor Fantástico’’). Os desenhos traziam a assinatura do artista gráfico tcheco Heinz Edelmantraz, que na época estava radicado na Alemanha. Sua equipe de criação incluía os profissionais de animação Jack Stokes e Robert E. Baiser, o produtor Al Brodax e o especialista em efeitos especiais Charles Jenkins.
O desenho levou cinco meses para ser feito e exigiu 40 animadores e 150 técnicos na sua produção. Está disponível nas locadoras brasileiras desde 1990.

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