Depois de um período lúgubre, um ocaso gerencial, o Sheena Bar retoma a partir de hoje o caminho de ser um dos endereços mais frequentados da boêmia curitibana. Agora sob velha direção - sim, com a volta da proprietária Marcia Fontana -, ele praticamente reinaugura, mesmo sem nunca ter fechado. Para marcar a rentré acontecerá um show acústico da banda Mosha, a partir das 23 horas.
O Sheena, que existe há sete anos, aberto pela primeira vez no inverno curitibano de 1992, se tornou um ponto de encontro para antes ou depois de qualquer evento importante na área cultural da cidade - ou mesmo durante, caso o evento fosse chato. Também frequentado por pessoas que fazem parte do circuito cultural, tinha a fama de ser o bar com o melhor som de Curitiba. Não porque tivesse um grande sistema de sonorização, mas porque ali só rolava música boa.
Há menos de um ano - uma eternidade para alguns - foi arrendado e o novo proprietário espantou os antigos e não conquistou novos frequentadores. Enquanto isso, Marcia Fontana, depois de merecidas férias, abriu o bar e restaurante Vox, que ainda está dando seus primeiro passos na esquina das ruas Saldanha Marinho e Ébano Pereira. Mesmo assim, ela atendeu à súplica geral dos ex-frequentadores do Sheena que não suportavam ver o antigo endereço ficar às moscas e retomou o local.
Como ainda tem que dedicar atenção quase que total ao novo restaurante, fez um acordo com os funcionários mais antigos para que estes administrem o Sheena. ‘‘Os funcionários vão administrar e terão direito a partilhar os lucros’’, avisa Márcia que fará a supervisão geral do espaço.
Para mostrar que está de volta presente na área, o velho point da Inácio Lustosa já reabre no agito. Hoje tem show da banda Mosha, formada por alguns frequentadores de primeira hora do Sheena que também estavam longe do bar neste período de, digamos assim, entressafra.
O Mosha nasceu há cerca de um ano e é composto por gente com experiência na cena musical curitibana. O vocalista e guitarrista Fernando Fricks e o guitarrista Dado Guimarães foram parceiros da banda Tessália, nos anos 80. O baterista Mola Jones tocou por muitos anos no Beijo AA Força e hoje também participa do circuito de jazz da cidade. Por fim, o baixista Mario Baena também participou de várias bandas nos anos 80.
Outra característica interessante do grupo é que três de seus membros moraram na Inglaterra. Fernando Fricks e Dado Guimarães foram para Londres em 1991 e por lá estudaram e trabalharam, inclusive compondo e tocando. Mario Baena também teve uma passagem por Londres e ao voltar a Curitiba foi convidado por Mola Jones para integrar o Mosha.
‘‘A banda faz um som ligado ao British Pop’’, explicam Mola e Baena. ‘‘Tem guitarras sujas e pesadas, com muito groove’’, afirmam. A banda já tocou em vários bares da cidade e participa do CD coletânea ‘‘Lototol’’, que está sendo lançado pelo selo Mais, em Curitiba. Também está produzindo um EP para lançamento em breve.
Apesar da inspiração em guitarras distorcidas, hoje o som da banda terá que trilhar novas experiências. Esta será a primeira vez que o grupo se apresenta de forma acústica. Para dar uma força, foi convidado o violonista Luciano Romanelli. ‘‘Estamos adaptando o repertório para o show’’, avisa Mola. De qualquer maneira, das músicas apresentadas, a grande maioria será de composições próprias, todas cantadas em inglês. ‘‘Só duas músicas serão cover, uma do Beck e outra do Paul Weller’’, adianta.Tuca Nissel/DivulgaçãoA banda Mosha terá a honra de recuperar a imagem do Sheena Bar, que reestréia na noite curitibana a partir de hojeO Sheena Bar está de volta ao circuito noturno de Curitiba e hoje apresenta um
show acústico
com a banda
Mosha
O Mosha é
formado por antigos
frequentadores

mockup