DivulgaçãoSteve Vai, em frente ao túmulo de Marilyn Monroe: trabalho duro para captar pequenos momentos de inspiraçãoUma das maiores feras da guitarra está de volta ao Brasil. Steve Vai encerra em Curitiba, com shows hoje e amanhã, no Aeroanta, esta segunda turnê brasileira. O repertório lança o novo disco, ‘‘Fire Garden’’. Em entrevista por telefone, de Los Angeles, o guitarrista conversou com a reportagem da Folha2 sobre este trabalho e outros temas, entre eles, como lida com a inspiração e o que pensa sobre o equilíbrio entre a técnica e o ‘‘feeling’’ na música. Exalando modéstia, também declarou que todo seu potencial como guitarrista ainda não foi alcançado.
A banda que acompanha Vai conta com Mike Mangini (bateria), Doug Bynoe (baixo), Mike Kenneally (guitarra base). Os shows se iniciam à meia-noite. Ingressos a R$ 25,00.
Como está a ‘‘Fire Garden World Tour’’?
Steve Vai - Está totalmente ‘‘selvagem’’. Várias coisas interessantes têm acontecido nesta turnê. Nós começamos em outubro com o ‘‘G3’’, que era uma série de shows unindo Joe Satriani, Eric Johnson e eu. Foi uma grande turnê. Pena que durou apenas quatro semanas. Depois seguimos em turnê solo e quase morremos! (risos) O gerador de energia do ônibus pegou fogo e tivemos que sair correndo no meio da estrada. Depois desse pequeno incidente nós paramos por alguns dias e reiniciamos a turnê na Ásia. Passamos por Bangkok, Taiwan, Japão e alguns lugares bem exóticos.
O disco ‘‘Fire Garden’’ possui uma grande variação de estilos musicais, que vão do blues rock até o heavy metal. Essa ‘‘miscelânea musical’’ foi intencional?
Steve Vai - Totalmente. Eu gosto de uma infinidade de estilos musicais e você pode perceber isso em meus discos. Nunca senti que devesse me prender a um único estilo musical. E o disco ‘‘Fire Garden’’ é especial nesse ponto. Não me preocupei em fazer um disco ‘‘uniforme’’. Apenas segui meus instintos e gravei minhas mais sinceras composições.
Você já declarou estar em busca de um tipo de música que realmente expresse o sentimento da guitarra. Você acha que ‘‘Fire Garden’’ está mais próximo disso?
Steve Vai - A maneira com que eu toquei guitarra nesse disco está mais direcionada para a melodia, para as frases e estrutura das músicas. Não é um disco ‘‘só para guitarristas’’. Eu acho que há grandes momentos para a guitarra em ‘‘Fire Garden’’, mas ainda não acredito ter alcançado meu potencial como guitarrista.
A música ‘‘Hand on Heart’’ (do disco novo) é provavelmente uma das canções mais emotivas que você já gravou. Como você lida com a inspiração?
Steve Vai - Para mim inspiração é algo que não pode ser programado. Eu não estou sempre inspirado... Não é o tipo de coisa que você diz : ‘‘Agora eu vou para o topo de uma montanha, ninguém vai me incomodar, está um dia lindo e pronto! Aqui eu vou fazer uma boa música!’’ Essa não é a maneira que eu trabalho. Eu tento capturar minhas idéias quando o momento está ali, acontecendo. Uma pessoa tem que ser um gênio para conseguir capturar todos momentos. Eu não consigo fazer isso. Tenho que trabalhar duro para conseguir capturar esses pequenos momentos de inspiração.
Você já colocou seus filhos em estúdio e aproveitou essas brincadeiras nos seus discos (o disco ‘‘Fire Garden’’ termina com Fire Vai, seu filho mais novo, dizendo: Papai!) Você acha que algum deles ainda vai se tornar músico?
Steve Vai - Bem... Acho que eles ainda são muito novos, mas se divertem com a coisa toda. Mas, se algum deles quiser, eu garanto que posso dar algumas aulas...
‘‘Fire Garden’’ deveria ter sido lançado como um álbum duplo, mas acabou chegando ao público como um disco simples. Quantas músicas você gravou para esse disco?
Steve Vai - Foram gravadas quase trinta músicas para esse disco. As 18 faixas que estão no disco são as minhas preferidas. Se eu pudesse, colocaria mais. Não existe nenhum plano oficial, mas talvez parte do material restante seja lançado em compactos.
Suas apresentações são repletas de energia. Você faz alguma preparação especial antes de subir no palco para fazer um show?
Steve Vai - Eu costumo pedalar em minha bicicleta ergométrica, fazer um pouco de ginástica e procuro correr. Depois relaxo e faço meditação por alguns minutos. Só então vou pensar em tocar guitarra. Normalmente pratico durante e depois da passagem de som, já me preparando para o show. Depois só escuto um pouco de música com o pessoal da banda, visto minhas roupas e estou pronto para o show.
Algumas pessoas criticam o fato de músicos muito ‘‘técnicos’’ não conseguirem reproduzir a mesma performance de estúdio no palco. O que você pensa sobre isso?
Steve Vai - Algumas vezes realmente fica impossível reproduzir certos recursos que o estúdio oferece em um palco. Eu me esforço ao máximo e espero que alguém se importe.
A faixa ‘‘All About Eve’’ fala sobre rituais vodu. Como você vê o misticismo?
Steve Vai - Eu nasci em uma família católica, mas não sou praticante. Eu sigo as regras básicas de todas as religiões. Eu acho que a base de todas as religiões é igual. O que acontece é que muitas pessoas ficam confusas e não entendem as diferenças entre os rituais de cada crença. Acho que me preocupo mais com a espiritualidade. Anos atrás eu costumava tocar guitarra sob uma pirâmide, mas isso necessariamente não me torna uma pessoa mística. Eu só procuro dar o melhor de mim para tudo que faço. Tento tocar guitarra da melhor maneira possível e fazer música da melhor maneira que posso.

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