A Escola Nacional de Circo traz ao Festival Internacional de Londrina um espetáculo tradicional, com acrobacias aéreas e de solo, magia, palhaços e malabares. Mas o destaque fica mesmo para os números de técnicas aéreas em que se utilizam tecidos, liras e trapézio petit volant (uma novidade, em tamanho menor e muito mais rápido que o tradicional, o que exige mais habilidade do artista).
O espetáculo é realizado exclusivamente por alunos da Escola e demonstra o trabalho desenvolido pela instituição pública, vinculada ao Ministério da Cultura (Minc) e administrado pela Funarte.
O diretor geral da Escola, Carlos Cavalcanti, explica que os exercícios do espetáculo carregam uma forte característica circense, com uma pitada de ousadia. A abertura da performance no anfiteatro do Zerão ficará a cargo da equipe brasileira de Ginástica Ritmica Desportiva (GRD), treinada pela técnica paranaense Bárbara Lafranchi. A noite ainda será de homenagens ao palhaço Picolino, pioneiro do circo londrinense, e a Londrina – através do palhaço Chupetim (considerado o melhor do Brasil em 99), que reside na cidade há três meses.
A Escola Nacional de Circo foi fundada em 1982 e completa amanhã o 18º ano de funcionamento. A proposta original do projeto era dar continuidade à formação dos artistas, antes uma função das próprias famílias circenses. ‘‘Mas a possibilidade de ser uma instituição pública abriu caminho para os que não vinham de famílias tradicionais e queriam seguir uma carreira profissional’’, comenta Cavalcanti, que há dois anos coordena a escola.
Sediada num terreno de sete mil metros quadrados, a Escola Nacional oferece um curso técnico de formação (quatro anos), além de cursos de reciclagem para os já formados e programas de ensaio, construção de aparelhos, técnica circense e resgate da história do circo no Brasil.
Um pouco dessa experiência foi trazida a Londrina em duas oficinas realizadas durante o Filo, no Centro de Convivência Ida Pedrialli (Jardim Espanha) e na Universidade Estadual de Londrina. A primeira reuniu 100 crianças da periferia, que em 10 dias brincaram, aprenderam e conheceram um pouco mais da arte do picadeiro. ‘‘Não foi nada muito técnico, mas a intenção era despertar o conhecimento da criança sobre a verdadeira vida num circo. Além disso, trabalhamos com a possibilidade da formação de platéia e do interesse de crianças pela continuidade na prática’’, conta.
Algumas crianças passaram por uma dupla vivência, já que faziam seu primeiro contato com o circo. Na opinião do diretor, essa arte é tão mágica que, mesmo quem nunca foi a um espetáculo, conhece pelo menos um palhaço. ‘‘Os alunos idealizam os circos espetaculares da tevê. Por isso foi legal passar essa noção do que acontece antes de subir ao trapézio’’.
O segundo grupo reuniu cerca de 70 universitários e foi, na opinião do diretor, uma experiência um tanto enriquecedora. Para ele, os participantes tiveram um bom desempenho técnico e bom nível de motivação. ‘‘Muitos demonstraram interesse em ir ao Rio para ampliar seus conhecimentos. Eles aprenderam aqui que o circo não é só a lona armada. Souberam também da importância do trabalho em equipe, da segurança e da organização, além de ter acesso a técnicas mais modernas, uma forma de ampliar a perspectiva deles’’.
‘‘Nas Alturas’’- com a Escola Nacional de Circo. Hoje, às 20h30, no anfiteatro do Zerão em Londrina. Direção: Robby Rethy Jr e Maria Delizier. Elenco: alunos da Escola. Coordenação: Carlos Cavalcanti.

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