A volta do Chacal
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Ricardo Bairos Planet Pop/AE Nova York 
DivulgaçãoBruce Willis é o herói da ação, mesmo no papel de vilãoAo contrário do que pode parecer, O Chacal não tem muito a ver com O Dia do Chacal, o filme de 1973 que deu origem à idéia deste. A nova produção de Michael Caton-Jones surgiu da cabeça dos produtores James Jacks e Sean Daniel, depois de terem visto o trabalho de Fred Zinnemann. E mais nada: a partir daí, o objetivo deles era apenas conseguir o herói de ação perfeito para fazer o papel do vilão e alguém à altura dele para ser o mocinho. Esta é a sacada do filme. Bruce Willis e Richard Gere, respectivamente, toparam os papéis principais e o não-remake saiu do papel.
O diretor resolveu que não queria ser influenciado pela produção dos anos 70 e, portanto, nem chegou a vê-la. No original, Edward Fox faz o papel do assassino de aluguel inglês que é contratado para matar o presidente Charles de Gaulle, da França. Na versão atual, ele é norte-americano e brinca de gato e rato com um diretor do FBI, interpretado por Sidney Poitier, e uma ex-agente da KGB, papel de Diane Venora. Gere é o terrorista do Exército Republicano Irlandês (o IRA) que é tirado da cadeia para ajudar na captura do matador de aluguel que muda toda hora de cara e de passaporte. De Gaulle fica de fora. Ninguém em Hollywood ou desta geração sabe mais quem foi ele.
Por conta de todas as mudanças, a Universal foi proibida de usar o título do filme original pelo próprio Zinnemann, que morreu em março, aos 89 anos. Sem problemas. O diretor de Rob Roy - A Saga de Uma Paixão colocou então a câmera para rodar a trama, na qual o Chacal é contratado por um mafioso russo para assassinar um integrante do governo dos Estados Unidos. A produção está na linha do que o público norte-americano sempre gostou de ver: filmes de ação políticos, como Força Aérea Um, que não teve muitos concorrentes este ano nos cinemas.
Críticas O Chacal foi bem de bilheteria nos Estados Unidos. Já de crítica, não dá para dizer o mesmo. Entre outras coisas, todo mundo caiu de pau no sotaque irlandês de Gere, muito fake. Por sinal, o ator perdeu a vergonha e está mais canastrão do que nunca. Willis, por sua vez, é herói de ação mesmo no papel do vilão. E, como herói de ação, está entre os melhores que Hollywood oferece no momento - não que este crédito seja muito bom. Mas o que chama atenção mesmo em seu personagem é o festival de disfarces, sobretudo de perucas, no melhor estilo de Val Kilmer em O Santo. São tantos e tão sem sentido, que parece que tiveram de ser criadas várias situações no filme apenas para ele poder usar o que tinha sido bolado pela equipe de produção.
Não é apenas o Chacal que sofre de crise de identidade. O próprio filme não sabe muito bem de onde veio e para onde vai. O roteiro é muito fraco e não chega nem perto de oferecer todo o suspense que tinha a história original, que está longe de ser um clássico. As cenas com o herói de Gere são tão chatas que dá vontade de começar a torcer pelo próprio Chacal, mas ele não ajuda muito em termos de empatia. Os efeitos especiais nas cenas de perseguição também não seguram o thriller, nem na cena final, a do assassinato propriamente dito. O resultado desta sequência não agradou nem depois das refilmagens - tempos depois de o filme ter sido todo rodado - no metrô de Montreal, no Canadá.


