DivulgaçãoBruce Willis é o herói da ação, mesmo no papel de vilãoAo contrário do que pode parecer, ‘‘O Chacal’’ não tem muito a ver com ‘‘O Dia do Chacal’’, o filme de 1973 que deu origem à idéia deste. A nova produção de Michael Caton-Jones surgiu da cabeça dos produtores James Jacks e Sean Daniel, depois de terem visto o trabalho de Fred Zinnemann. E mais nada: a partir daí, o objetivo deles era apenas conseguir o herói de ação perfeito para fazer o papel do vilão e alguém à altura dele para ser o mocinho. Esta é a ‘‘sacada’’ do filme. Bruce Willis e Richard Gere, respectivamente, toparam os papéis principais e o não-remake saiu do papel.
O diretor resolveu que não queria ser influenciado pela produção dos anos 70 e, portanto, nem chegou a vê-la. No original, Edward Fox faz o papel do assassino de aluguel inglês que é contratado para matar o presidente Charles de Gaulle, da França. Na versão atual, ele é norte-americano e brinca de gato e rato com um diretor do FBI, interpretado por Sidney Poitier, e uma ex-agente da KGB, papel de Diane Venora. Gere é o terrorista do Exército Republicano Irlandês (o IRA) que é tirado da cadeia para ajudar na captura do matador de aluguel que muda toda hora de cara e de passaporte. De Gaulle fica de fora. Ninguém em Hollywood ou desta geração sabe mais quem foi ele.
Por conta de todas as mudanças, a Universal foi proibida de usar o título do filme original pelo próprio Zinnemann, que morreu em março, aos 89 anos. Sem problemas. O diretor de ‘‘Rob Roy - A Saga de Uma Paixão’’ colocou então a câmera para rodar a trama, na qual o Chacal é contratado por um mafioso russo para assassinar um integrante do governo dos Estados Unidos. A produção está na linha do que o público norte-americano sempre gostou de ver: filmes de ação políticos, como ‘‘Força Aérea Um’’, que não teve muitos concorrentes este ano nos cinemas.
Críticas ‘‘O Chacal’’ foi bem de bilheteria nos Estados Unidos. Já de crítica, não dá para dizer o mesmo. Entre outras coisas, todo mundo caiu de pau no sotaque irlandês de Gere, muito fake. Por sinal, o ator perdeu a vergonha e está mais canastrão do que nunca. Willis, por sua vez, é herói de ação mesmo no papel do vilão. E, como herói de ação, está entre os melhores que Hollywood oferece no momento - não que este crédito seja muito bom. Mas o que chama atenção mesmo em seu personagem é o festival de disfarces, sobretudo de perucas, no melhor estilo de Val Kilmer em ‘‘O Santo’’. São tantos e tão sem sentido, que parece que tiveram de ser criadas várias situações no filme apenas para ele poder usar o que tinha sido bolado pela equipe de produção.
Não é apenas o Chacal que sofre de crise de identidade. O próprio filme não sabe muito bem de onde veio e para onde vai. O roteiro é muito fraco e não chega nem perto de oferecer todo o suspense que tinha a história original, que está longe de ser um clássico. As cenas com o herói de Gere são tão chatas que dá vontade de começar a torcer pelo próprio Chacal, mas ele não ajuda muito em termos de empatia. Os efeitos especiais nas cenas de perseguição também não seguram o thriller, nem na cena final, a do assassinato propriamente dito. O resultado desta sequência não agradou nem depois das refilmagens - tempos depois de o filme ter sido todo rodado - no metrô de Montreal, no Canadá.
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