A volta do Cavaleiro das Trevas
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Nelson Sato 
ReproduçãoNa minissérie de Frank Miller, o menino-prodígio reaparece como uma menina de 13 anosGotham City arde num calor insuportável. As ruas são dominadas por assassinos da Organização Mutante. Na polícia, o comissário James Gordon está prestes a se aposentar. Numa clínica para doentes mentais, o atormentado Duas-Caras recebe alta e retorna ao mundo do crime.
Na mansão Wayne, um Bruce cinquentão confronta sua porção-morcego e é vencido por ela. Depois de passar dez anos recluso, remoendo a perda de Robin, veste a capa preta e a máscara. Para o azar dos inimigos, reaparece mais lento nos movimentos mas muito mais cruel e violento.
Essa é, em síntese, a primeira parte da minissérie Batman - O Cavaleiro das Trevas, criação máxima de Frank Miller que retorna às bancas dia 1º de abril para comemorar os dez anos de seu lançamento no País. Só que agora, segundo os editores da Abril Jovem, com as capas da versão original norte-americana.
Culto Pouca coisa, na verdade, se comparada com a homenagem similar feita nos Estados Unidos, cujo relançamento no final do ano passado contemplou os colecionadores com alguns brindes. Em formato de pacote, a reedição incluiu um autógrafo, um novo texto introdutório e desenhos inéditos de Miller.
O kit trouxe ainda um livreto de 28 páginas contendo esboços do artista, uma cópia do script original e uma coleção de recortes de jornais e revistas com críticas sobre o gibi. A análise da obra, aliás, não sofreu revisões ao longo de uma década. Ainda hoje, o tom elogioso se sobrepõe aos reparos.
Já catalogado como um clássico, Batman - O Cavaleiro das Trevas expandiu ao infinito o culto ao personagem criado por Bob Kane em 1938. A partir do dedo de Frank Miller, que resgatou o vigilante de Gotham City do ostracismo, o sinal do morcego ressurgiu em filmes, adesivos, camisetas e centenas de objetos.
Arte Foi graças a essa saga que os quadrinhos voltaram a frequentar a mídia. O título, vale lembrar, renovou o gênero impulsionando a criação de super-heróis sombrios, noturnos e atormentados. Inovou também na linguagem apresentando uma narrativa fragmentada, pontuada por flash backs, sequências cinematográficas em câmera lenta e simultaneidade de eventos.
Inaugurou ainda um novo padrão gráfico na galeria de personagens dotados de superpoderes: a minissérie de luxo, então inexistente no mercado. Com seu lançamento, as revistas de histórias em quadrinhos deixaram de ser vistas apenas como leitura de crianças e adolescentes e ganharam prestígio artístico.
Dez anos depois, o gibi volta às bancas em edições quinzenais e em formato americano. Cada exemplar vai custar R$ 4,20.


