Dois programas de televisão, um de 1981 recém-lançado em DVD e outro que vai ao ar amanhã às 20h30 pela Cultura, fazem um bom apanhado da história de um dos mais populares e pungentes cantores que este País já teve: o eterno boêmio Nelson Gonçalves (1919-1998). O motivo é de festa por sua memória: a comemoração de seus 90 anos de nascimento.
''Mosaicos'', da Cultura, narrado por Rolando Boldrin, mostra um apanhado de imagens do acervo da emissora. Edith Veiga, Caçulinha, Adelino Moreira, Altemar Dutra Jr. e outros lembram Nelson em depoimentos e interpretações inéditas para alguns clássicos que ele imortalizou, como ''Maria Bethânia'' (Capiba), ''Caminhemos'' (Herivelto Martins) e ''Alguém me Disse'' (Evaldo Gouveia/Jair Amorim).
No auge do sucesso, caiu no ostracismo ao se atolar na cocaína e foi até preso por conta disso em 1963. Passado o pesadelo, porém, Nelson levantou-se lentamente e a partir da década de 1970, modernizando o repertório, gravou com diversos de seus admiradores -incluindo Maria Bethânia, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Lobão. No programa da Globo, exibido em 1981, com a voz recuperada, dividiu o microfone com as então novatas Alcione e Fafá de Belém.
Em quase 60 anos de carreira, ele cantou muito samba-canção, estilo romântico que o consagrou, mas também tango, bolero, toada, valsa, fado, modinha, choro e outros gêneros clássicos. Gravou mais de 2 mil canções em 183 discos de 78 RPM, cerca de 100 compactos e 100 LPs, vendendo em torno de 53 milhões de exemplares. Não é pra qualquer um.

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