A volta de um velho malandro
O espetáculo que reabre o Ouro Verde também traz de volta aos palcos um ''velho malandro'' do teatro londrinense: o ator Apolo Theodoro, 58 anos, figura conhecida na cidade pela atuação em várias áreas e também pelo bom humor. Nascido no Estado do Rio de Janeiro, ele chegou em Londrina na década de 50, aos nove anos de idade. Quase 15 anos depois, iniciava sua incursão pelo teatro, atuando como um dos fundadores do Festival Universitário de Teatro. Nessa época, também estreava no palco como ator do espetáculo ''Repouso no Telhado'', de Nikolai Gogol, com o grupo Turp (Teatro Universitário Rocha Pombo), do centro acadêmico do curso de história.
Apolo Theodoro foi o primeiro presidente da Fitap (Federação Independente de Teatro Amador do Paraná) e esteve à frente do movimento de teatro popular. Em 10 anos nos palcos, participou do elenco de montagens como ''Arena Conta Tiradentes'', com o Gruta, de Arapongas, ''O Verdugo'', com o grupo Núcleo (precursor do Proteu), e ''O Auto da Compadecida'', com o Turp.
Em 1977, o fluminense de coração pé vermelho conheceu sua outra paixão. ''O teatro me levou para o jornalismo'', lembra. Apolo trabalhou no extinto jornal ''Paraná Norte'', na Folha de Londrina e no Jornal de Londrina. Em 1987, uma recaída: montou com um grupo de amigos o espetáculo ''Bar Sweet Bar'' (criação coletiva).
Dezesseis anos depois, Apolo Theodoro resolveu retomar os palcos. Foi convidado para interpretar o protagonista do espetáculo ''O Velho Malandro''. ''Sou um malandro fora de moda, fora da noite. O papel veio a calhar'', comenta.
A volta à cena londrinense é encarada pelo ator como um recomeço. ''O teatro abre novos desafios. E qualquer hora é hora. Dizem que a vida começa aos 40, então eu estou com 18. Idade para começar a fazer teatro, para passar no vestibular...'', brinca Apolo, que também acaba de ser aprovado no vestibular da UEL para o curso de Psicologia. ''Sempre tive vontade de voltar para o teatro. Fazer teatro foi importante na minha vida, na minha formação pessoal'', diz. (J.S.)





