No rastro da divulgação proporcionada pela Nasa, Jorge Aragão está lançando um novo CD, ‘‘Sambista a bordo’’. Depois que o seu samba ‘‘Coisinha do Pai’’ foi usado pela agência espacial norte americana para acordar o robô Soujourner, durante a missão em Marte, Jorge espera que seu novo trabalho possa fazer no Brasil o mesmo sucesso que ‘‘Coisinha do Pai’’ fez no planeta vermelho. ‘‘Fiz esse samba em homenagem a minha filha, para fazê-la dormir’’, explica. Ironicamente, a canção de ninar acabou servindo para despertar o robô. ‘‘Foi a mesma emoção de quando ouvi minha música tocar pela primeira vez no rádio’’, descreve o sambista.
Impulsionado por essa surpresa espacial, Jorge Aragão deixa o exílio dos estúdios após a saída da RGE, sua antiga gravadora. O título do CD, ‘‘Sambista a bordo’’, intencionalmente ou não, é uma grande jogada de marketing. ‘‘Dentro do CD há um sambista de verdade’’, explica Aragão.
Jorge Aragão nasceu no Rio de Janeiro, numa terça-feira de Carnaval de 1949, no mesmo dia do aniversário da cidade maravilhosa. Passou a infância no bairro de Madureira, Zona Norte da cidade. Um tradicional celeiro de bambas, sede de duas grandes escolas de samba da cidade: Portela e Império Serrano. ‘‘Minha raiz tem tudo a ver com o samba’’, orgulha-se.
Sua carreira começou no bloco Cacique de Ramos, quando criou o grupo de pagode Fundo de Quintal, junto com os sambistas Almir Guineto e Neoci. Deixou o grupo em 1982, partindo para a carreira solo. Compôs músicas como ‘‘Coisa de Pele’’, considerada o hino do pagode, e ‘‘Malandro’’, conhecida na voz de Elza Soares.
A grande influência na carreira de Jorge Aragão, segundo ele mesmo, foi outro sambista: Roberto Ribeiro, autor do samba ‘‘Todo Menino é um Rei’’. ‘‘Ele não tem substitutos dentro do samba’’, exalta. O sambista influenciou Aragão no modo simples de cantar e na dicção clara.
Durante os três anos que ficou sem gravar, Jorge Aragão aproveitou para compor e realizar shows por todo o Brasil. Entretanto, o sucesso da longa turnê o convenceu a gravar um novo disco. Sócio de uma produtora de música, Aragão começou o projeto com investimento próprio. Quando já tinha 90% do trabalho pronto, surgiu o contrato com a nova gravadora, a Indie Records, uma estreante no mercado fonográfico.
TradicionalJorge Aragão continua sendo um sambista tradicional, de voz melódica, romântico, tímido e atitudes pacíficas. Características de um compositor desgostoso com as mudanças impostas ao samba, o ritmo eletrônico e as apresentações superproduzidas. ‘‘Estão distorcendo o samba’’, reclama. Mas ele não acredita que esse processo acabará com a autenticidade do gênero. ‘‘Sempre haverá alguém fazendo o samba tradicional’’, consola-se.
Com ‘‘Sambista a bordo’’, Jorge Aragão espera renovar as alegrias que sua carreira já lhe deu. O CD vai ser lançado em todo o Brasil, juntamente com uma série de shows. ‘‘Estou bastante animado’’, confessa. O entusiasmo com o novo trabalho é um indício de que - com o empurrãozinho da Nasa - o sambista pode voltar a frequentar as paradas de sucesso.

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