A Volta de Spielberg
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Claudia Rahola France Presse 
ReproduçãoSteven Spielberg traz os dinossauros de volta às telas: fórmula consagrada de sucesso deve bater recordes de bilheteriaDepois de três anos sem apresentar um filme com sua assinatura na direção, Steven Spielberg volta amanhã às telas cinematográficas com sua nova produção, O Parque dos Dinossauros II: O Mundo Perdido, a esperada continuação do filme de maior bilheteria de todos os tempos.
O cineasta americano não dirigia um filme desde o premiado A lista de Schindler, o filme que lhe valeu seu primeiro e até agora único Oscar, assim como o único grande reconhecimento para um homem que fez de todas suas estréias verdadeiros arrasos de bilheteria.
Os estúdios Universal esperam que O Mundo Perdido atraia 10 milhões de espectadores em sua primeira semana de exibição em mais de 3.000 salas e sonham bater o recorde estabelecido com o recente Missão: Impossível.
No ano passado, neste mesmo fim de semana comemorativo do Memorial Day, já que esta segunda-feira é feriado nos Estados Unidos, o filme protagonizado por Tom Cruise arrecadou 56,8 milhões de dólares. Em 1993, O Parque dos Dinossauros obteve 50,2 milhões em um final de semana normal, antes de acumular a cifra recorde de 916 milhões de dólares nas bilheterias de todo o mundo.
A nova produção de Spielberg, na qual foram depositadas esperanças tão monstruosas como os personagens protagonistas da história, assusta, inclusive, o mundo do cinema e os distribuidores estão evitando programar qualquer lançamento com pretensões de arrecadação em data próxima a seu lançamento.
O Mundo Perdido é um aspirador, que vai sugar tudo, observou um dos profissionais do jornal Daily Variety.
Baseada no romance de Richard Crichton, a nova história acontece quatro anos depois do desastre do Parque dos Dinossauros, em outra ilha costarriquenha infestada de dinossauros, a Ilha Sorna. Dois grupos humanos rivais desembarcam nela com objetivos diferentes: os vilões querem capturar e explorar as criaturas, os bonzinhos querem protegê-los e estudá-los.
A mensagem mudou. O primeiro filme tinha a moral clássica dos perigos que correm os cientistas quando tenta mudar o curso da natureza. No segundo, os cientistas são política e ecologicamente corretos e os dinossauros se encontram em vias de extinção.
ElencoJeff Goldblum, Richard Attenborough, Julianne Moore, Pete Postlethwhite, Arliss Howard e Vince Vaughn encabeçam a continuação, mas os espectadores querem ver mesmo são os verdadeiros astros: os dinossauros.
O desafio do primeiro filme era fazer as pessoas crerem que os dinossauros existiam de verdade, declarou, recentemente, David Koepp, roteirista de ambos os filmes. No novo filme, tínhamos de fazê-los dançar.
O Mundo Perdido permitiu atingir um nível de efeitos especiais, cujas possibilidades foram vislumbradas no primeiro filme.
Com um total de 74 milhões de dólares, 14 a mais do que na primeira parte e uma cifra irrisória, se comparada com as produções mais recentes de Hollywood (Speed 2: Lost control custou 140 e Titanic cerca de 200), o diretor conseguiu incluir quatro vezes mais efeitos especiais e criar novas criaturas - nove espécies diante das cinco da versão anterior - mais dinâmicas e humanas, fazendo-as aparecer em situações impossíveis. O cineasta inclusive se permite o luxo de levar um Tiranossauro Rex até San Diego.
Era algo que eu guardava para o terceiro filme, explicou Spielberg. Mas, quando decidi que finalmente delegaria a outro esse trabalho de direção, egoisticamente quis ver um T-rex em ação nas ruas de uma cidade, devorando as pessoas.
Apesar de O Mundo Perdido ser talvez sua última relação com os dinossauros, Spielberg tem outros inúmeros projetos. Quando passar o alarde em torno desta estréia, Spielberg vai terminar Friendship, a primeira produção de seu novo estúdio, a DreamWorks, e, pouco depois, iniciará as filmagens de Saving Private Ryan, protagonizado por Tom Hanks.


