Arquivo FolhaKazuo Ohno:
o mestre volta
a Londrina em 1998
e também sonha ir
a Machu Pichu
para dançarFaltando pouco mais de quatro meses para a edição 1998 do Festival Internacional de Londrina (Filo), a organização do evento já está trabalhando na programação e captação de recursos. A diretora do Filo, Nitis Jacon, adiantou ontem em entrevista coletiva, as novidades e algumas atrações para o ano que vem.
O Filo é realizado em duas fases (a regional e a internacional). Em 98, o esquema continua o mesmo, só que a Mostra Regional será transformada em Mostra Nacional Universitária. ‘‘Mesmo assim, os grupos regionais poderão se apresentar. O que queremos é reforçar o importante trabalho dos grupos universitários’’, diz. A Mostra Nacional acontecerá de 24 de abril a 3 de maio e a Internacional de 19 a 31 de maio.
A fase internacional do Filo promete boas surpresas para o ano que vem. Talvez a melhor delas seja a volta do mestre do butô, Kazuo Ohno, para mais uma apresentação no Festival de Londrina. Kazuo Ohno, hoje com 94 anos, esteve na cidade em 1992, quando encantou o público com dois espetáculos.
Ohno foi um dos criadores do butô (que significa ‘‘pés e mãos’’) na década de 50. Segundo ele, o butô - uma dança japonesa moderna - é a valorização da vida, um acesso ao mundo da poesia através da expressão corporal.
Recentemente, Nitis Jacon esteve com Ohno no Japão. Além de confirmar sua vinda a Londrina, o mestre revelou um sonho: alcançar Machu Pichu. Empolgada, a diretora do Filo diz que está trabalhando em conjunto com o diretor peruano Carlos Cueva para levar Kazuo Ohno até o Peru depois do Festival. ‘‘Ele quer dançar, de madrugada, nas ruínas de Machu Pichu. É o grande sonho dele’’. Com certeza, deverá ser um dos mais belos espetáculos já vistos.
ÓperaOutra atração do festival é a apresentação de uma ópera que será montada em Londrina para o Filo. Nitis adianta que o grupo será formado por atores do Proteu - grupo de teatro da Universidade Estadual de Londrina - e outros convidados.
Um seminário da Técnica das Artes Cênicas vai trazer a Londrina especialistas em cenário, som, luz etc, para desenvolver trabalhos com os técnicos responsáveis pelas montagens dos espetáculos. O seminário também será aberto a outros técnicos interessados.
A diretora do festival conta, ainda, que a programação trará vários espetáculos de rua, grande atração para a comunidade. Sem esquecer que o Cabaret (um espaço alternativo) funcionará como nos outros anos, trazendo shows nacionais e internacionais durante as noites do Filo.
Mostra nacionalAs atrações da Mostra Nacional ainda não estão todas fechadas. Mas a diretora do Filo adianta alguns eventos especiais. Um deles é o Seminário do Centenário de Bertold Brechet, que vai discutir o trabalho desenvolvido pelo dramaturgo alemão e o que ele significa para o teatro hoje. Entre os convidados nacionais e internacionais estão os brasileiros Fernando Peixoto e Sérgio Carvalho.
Também esperada é a oficina com a teatróloga e diretora espanhola Elena Castelar sobre o método de outro teatrólogo alemão, Alexander, desenvolvido inicialmente para dança e depois adaptado para teatro.
Já os participantes da Mostra não estão definidos, mas uma notícia boa para quem produz teatro na cidade é que diretores e programadores de mostras nacionais e internacionais estarão em Londrina para conhecer um pouco das experiências mostradas no Filo.
Para a abertura do evento, a organização está em contato com a produção dos artistas Rita Lee, Gal Costa e a banda Paralamas do Sucesso. Uma destas atrações estará em Londrina no mês de abril.
O Filo já é conhecido como um festival de teatro. No entanto, Nitis faz questão de salientar que trata-se de um festival de artes cênicas. ‘‘Reúne teatro, dança, circo e agora, ópera’’. Por isso, muita variedade deve vir por aí.

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