Kate Winslet está de volta. Passado o iceberg, chegou a hora da atriz inglesa, que ficou conhecida em todo mundo ao contracenar com Leonardo DiCaprio em ‘‘Titanic’’, mostrar novamente seu talento. Ela volta às telas norte-americanas esta semana na produção independente ‘‘Hideous Kinky’’, do escocês Gillies MacKinnon. No filme, rodado no Marrocos, ela aparece como a mãe de duas filhas que resolve deixar o marido para viver o sonho hippie no início da década de 70.
Desde que teve sua vida transformada pela experiência de trabalhar no filme de James Cameron, Winslet não parece ter sido abalada da mesmo forma que DiCaprio ou que o próprio diretor, o autoproclamado ‘‘rei do mundo’’. A atriz que já havia tido atuações elogiadas em ‘‘Almas Gêmeas’’, sua estréia, em 1994, e ‘‘Razão e Sensibilidade’’, em 1995, decidiu contrariar seus agentes e evitar produções de grandes estúdios de Hollywood. No ano passado ela fez uma ponta no filme ‘‘Plunge’’, uma produção mais do que independente, ‘‘como um favor a um amigo’’ - um movimento nada usual para uma atriz que já concorreu a dois Oscars e dois Globos de Ouro e que coleciona outros importantes prêmios.
‘‘Hideous Kinky’’, baseado no romance de Esther Freud (bisneta de Sigmund Freud), havia chamado a atenção de Winslet quando ela tinha apenas 17 anos, em 1992. A história, transformada em roteiro para cinema por Billy McKinnon, irmão do diretor, é sobre Julia, uma mulher de 25 anos que se cansa da vida comum na Inglaterra e decide viajar para o norte da África. Vivendo em um hotel barato em Marrakesh, ela e as filhas passam a viver da venda de bonecas de pano e do pouco dinheiro que o pai das meninas envia a cada mês. Julia acaba conhecendo um acrobata marroquino (vivido por Said Taghmaoui) e vê mais mudanças em sua vida.
Rodado no segundo semestre de 1997, antes da estréia de ‘‘Titanic’’, ‘‘Hideous Kinky’’, que custou pouco mais de US$ 5 milhões, deu a Winslet uma intoxicação alimentar e um marido. Ela acabou se casando com o terceiro diretor assistente da produção, Jim Threapleton, que foi chamado às pressas para se juntar à equipe quando o calendário de filmagens estava atrasado.
O novo relacionamento já fez a atriz mudar sua atitude quanto às cenas de nudez em seus próximos trabalhos. Ela disse recentemente em uma entrevista a uma revista inglesa que não pretende repetir as cenas ‘‘quentes’’ de sua personagem Rose, em ‘‘Titanic’’, no futuro. Ela aparece parcialmente sem roupa em ‘‘Jude’’, de 1996, em ‘‘Hideous Kinky’’ e em ‘‘Holy Smoke’’, de Jane Campion (‘‘O Piano’’), trabalho que acaba de completar.
A ‘‘última cena de sexo de Kate Winslet’’ deve ser a que ela rodou recentemente com Harvey Keitel para ‘‘Holy Smoke’’. Na história, rodada na Austrália e na Índia, ela faz o papel de uma jovem que passa a ter o acompanhamento de um conselheiro contratado pela família depois que ela se envolve com uma seita indiana. Eles acabam tendo um complicado caso amoroso. ‘‘Não tive problemas em fazer as cenas de sexo, ensaiamos e rodamos tudo em uma hora’’, contou a atriz ao jornal inglês ‘‘The Evening Standard’’. ‘‘Sempre tive a postura de não fazer filmes em que a nudez é uma coisa gratuita, mas, de agora em diante, vou pensar duas vezes antes de fazer cenas deste tipo.’’
Winslet, que diz querer começar uma família com o marido ‘‘no futuro’’, ainda não decidiu qual será seu próximo filme depois de ‘‘Holy Smoke’’ (que estréia nos Estados Unidos no segundo semestre). Ela disse estar analisando ‘‘dezenas’’ de roteiros e que pretende manter sua idéia de alternar grandes produções com filmes independentes. ‘‘Também estou procurando coordenar minha agenda com a de Jim, para que a gente possa ficar o menor tempo possível longe’’, diz. ‘‘Meu sonho é fazer como Paul e Linda McCartney, que passaram apenas três noites separados em mais de 20 anos.’’

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