O cinema da Galeria Vila Rica era mantido em parceria pelas empresas Cinematográfica Araújo (proprietária do Multiplex Catuaí) e Cinematográfica Rolândia. ‘‘Nos últimos anos, o público começou a ir para o shopping por causa do estacionamento e outras comodidades’’, afirma Alcides Candido de Souza, que durante 27 anos foi projecionista e gerente do cinema. Hoje ele trabalha como porteiro do Condomínio Folha de Londrina.
  Souza lembra da inauguração do cinema, em 18 de janeiro de 1969, com capacidade para 1.100 pessoas e destaca a alta qualidade de som e imagem, além da requintada decoração. ‘‘Era uma maravilha’’, define. Em 1983 uma reforma desmembrou a sala em duas: Cine Vila Rica e Cine Londrina. ‘‘Todo noite tinha fila. O público comparecia mesmo. Alguns filmes começavam com pouca gente e em menos de uma semana não ficava uma sessão sem lotar’’, conta. ‘‘Até os proprietários ficavam surpresos com o sucesso que os filmes faziam em Londrina. Era uma praça muito forte.’’
  Entre os fatos importantes registrados na memória de Souza, está a estréia de ‘‘Lua de Cristal’’, um dos filmes da Xuxa. O ingresso para as cinco primeiras sessões era um quilo de alimento não perecível. ‘‘Quando chegou a última sessão ainda tinha gente na fila, que dobrava o quarteirão. Como não dava mais para ninguém entrar, o povo se revoltou e começou a jogar comida na gente. Foi preciso chamar a polícia. Foi uma loucura. Teve um porteiro que saiu branco de tanta farinha que levou na cabeça.’’
  Souza está torcendo para que as portas do antigo cinema permaneçam abertas ao público. ‘‘No primeiro dia do Festival, quando uma fila se formou, me deu vontade até de chorar. Foi bom ver a galeria cheia de vida novamente.’’ (L.B.)

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