A volta das fibras naturais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de março de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Kraw PenasCristiana Oliveira foi a estrela da noiteDepois do delírio dos sintéticos a moda começa a olhar para a velha fibra natural. A Ellus, que trabalha especialmente para o público jovem - 68% de seus consumidores estão entre 14 a 22 anos, e o restante chega até os 35 - está preparando a linha verão-98 atenta a tecidos como o linho e o algodão. O que está apontando em termos de material é a reedição das fibras naturais renovadas, confirmou o presidente e proprietário da empresa, Nelson Alvarenga.
Não dá para dizer que é uma onda retrô industrial. Até mesmo porque esses produtos não virão com a mesma feição de tempos passados, quando imperavam soberanos, antes da invasão do nylon, poliéster e outros fios. Eles retornam melhorados, dentro da cultura imposta pela tecnologia. O consumidor terá garantido o conforto das roupas.
Estaria o sintético dando mostras de enfraquecimento? Nada disso, rebate Alvarenga. O sintético está no apogeu. Mas num próximo movimento virá o refortalecimento da fibra natural, explica.
Kraw PenasOs cortes serão impecáveis, especialmente para os ternos
O presidente da Ellus esteve em Curitiba esta semana, acompanhando de perto o lançamento nacional da coleção inverno da etiqueta, na Fórum Casa de Shows. A estrela da noite foi a atriz Cristiana Oliveira, que antes de chegar à televisão trabalhou como modelo e durante oito meses escreveu sobre moda no jornal O Globo.
CrescimentoAo completar 25 anos a Ellus goza de excelente saúde financeira. Anualmente lança duas coleções compostas de 500 itens cada, que são comercializadas em 650 estabelecimentos no País. Com um faturamento acima de US$ 100 milhões anuais, teve um crescimento em 1996 na ordem de 40%. Este ano a previsão é de no mínimo repetir esse mesmo crescimento.
Trabalhar com o segmento jovem faz com que a empresa esteja atenta a um mercado dinâmico. O comportamento de quem consome moda, mudou com o tempo. Se nos anos 70, quando nasceu a etiqueta, havia o despojamento no visual, a tendência de agora é outra.
Kraw PenasMais do que nunca as linhas vão realçar o lado ultrafeminino da mulher brasileira
Eu diria que o jovem de hoje está um pouco mais conservador, na análise de Alvarenga. O jovem dos anos 70 era mais contestador, sua ambição era botar o pé na estrada e aventurar-se. O de hoje prefere a terra firme, morar com os pais. Essa tendência faz com que a juventude que beira a virada do milênio seja também mais exigente. Ela quer seletividade, qualidade, atesta o empresário.


