ReproduçãoMichael Palin, Jamie Lee Curtis, John Cleese e Kevin Kline de novo juntos, agora em ‘‘Ferocidade Máxima’’Mais ou menos lá pela metade das filmagens de ‘‘Um Peixe Chamado Wanda’’, bem antes de o filme tornar-se um dos mais rentáveis de 1988, os atores John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline e Michael Palin tiveram a certeza de que gostariam de se reunir um dia para outro filme, mas que em hipótese alguma fosse uma sequela. Tanto falavam sério que aqui está ‘‘Ferocidade Máxima’’ , comédia anglo-americana excêntrica reunindo novamente o quarteto numa farsa sobre o choque de ‘‘culturas’’ entre os provincianos administradores de um pequeno zoológico inglês e os executivos de um gigantesco e insaciável conglomerado americano. Assim, a partir de hoje, quem esperou quase dez anos para se divertir com outro ‘‘tour de force’’ do grupo tem bons motivos para estar otimista. ‘‘Fearce Creatures’’ promete diversão inteligente, apesar de alguns desencontros que afetaram a produção.
Acidente de percurso Originalmente apontado para lançamento em maio do ano passado, ‘‘Ferocidade Máxima’’ sofreu uma espécie de pane pouco antes de decolar para as salas de exibição de todo o mundo. Testado nos Estados Unidos em ‘‘sneak previews’’, ou sessões-surpresa, o filme agradou em cheio as platéias americanas. Mas só até o terço final: na última parte, a morte de um dos personagens principais vinha deixando o público desconcertado. E frio. A imprensa inglesa, que ainda não tinha assistido, escreveu que o material era muito ‘‘sofisticado e dark’’ para os americanos. Apesar de achar tudo um completo nonsense , o roteirista e ator John Cleese reescreveu as sequências problemáticas. A questão agora era reunir o elenco, àquela altura já disperso. Somente em agosto o material alterado foi refilmado, já sob o comando de um outro diretor, Fred Schepisi - o anterior, Robert Young não estava mais disponível em razão de compromissos profissionais.
No centro da extravagante intriga de ‘‘Ferocidade Máxima’’ estão os estranhos programas de marketing impostos pelos agentes da corporação americana (Kline, Jamie Lee e Cleese) aos ingênuos homens do zoológico inglês (Michael Palin, entre outros). E há, é claro, os animais. Ao todo 115, muitos capazes de arrancar boas gargalhadas do espectador. Situações bizarras, bem ao feitio do humor ora burlesco, ora histérico e não raro brilhante da grife Monty Python, aqui representada pelo roteirista-ator John Cleese e pelo ator Michael Pallin. A mesma dupla de certa forma repetindo ‘‘Um Peixe Chamado Wanda’’, onde o formalismo e a inibição ingleses se opõem debilmente à intuição e à falta de sofisticação dos americanos. Lançado há exatos três meses nos Estados Unidos, ‘‘Creatures’’ tem sido discreto nas bilheterias, nem de longe capaz de reeditar o fenômeno ‘‘Wanda’’, que há uma década custou 7 milhões de dólares e arrecadou 190.

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