A VIRTUDE NO COTIDIANO
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de outubro de 2001
Marcos Losnak<br> De Londrina 
As pessoas consideram herói aquele que consegue realizar um grande feito. De preferência um feito em nome do bem. Mas o herói não precisa ser necessariamente um corajoso cavaleiro que sabe manejar com perfeição sua espada. Não precisa ser um ótimo piloto que, com seu avião supersônico, consegue atingir o alvo com precisão.
A figura do herói pode estar mais próxima do que imaginamos. Ele pode ser uma pessoa próxima. Uma pessoa admirada por seus pequenos gestos, por suas pequenas ações no cotidiano em que vivemos. Pode ser a mãe, o pai, o avô, o amigo, o professor, o vizinho, ou até mesmo o cachorro de estimação.
William Bennett, em ''O Livro dos Heróis para Crianças'', mostra como o herói pode estar em antigas histórias de guerras e, ao mesmo tempo, nos pequenos feitos de pessoas que convivemos diariamente. Lançado pela Editora Novo Fronteira, o livro segue o mesmo modelo de outra obra organizada por Bennett, ''O Livro das Virtudes para Crianças'' publicado há cinco anos.
Com ilustração de Michael Haugue, ''O Livro dos Heróis para Crianças'' é uma coletânea de histórias sobre heróis reais e imaginários selecionados por Bennett. Personagens históricos como Davi (que venceu o gigante Golias num episódio bíblico) e Teseu (que venceu Minotauro na mitologia grega) estão presentes ao lado de personagens comuns do dia-a-dia.
O norte-americano William Bennett é um convicto defensor dos valores tradicionais. Assim, todas as histórias do livro apresentam princípios morais como honestidade, lealdade, responsabilidade, perseverança, fé, compaixão, etc. A escolha dos textos não está centrada em suas características literárias, mas em suas mensagens carregadas de valores humanitários.
Após a leitura de ''O Livro dos Heróis para Crianças'' algumas questões podem surgir na mente do leitor. Por exemplo, um soldado que sai vitorioso de uma guerra é considerado herói pelo seu país por realizar um ato bom para seu povo. Ele é considerado um homem de virtude. Mas o bem realizado por ele é fruto de um mal: o de ter assassinado o soldado inimigo para obter a vitória. Ele também pode ser considerado um homem sem virtudes. Assim, o bem pode nascer de um ato condenável, de um gesto de maldade.
Pode parecer complicado, mas demonstra que o heroísmo deve ser observado com atenção. No mundo atual, onde a realidade é adubada pela violência, os gestos heróicos mais honestos podem estar nas pequenas ações. E ser um pequeno herói todos os dias pode ser mais bonito do que ser um grande herói em um único dia.
''O Livro Dos Heróis Para Crianças'', organização de William J. Bennett, ilustrações de Michael Haugue, Editora Nova Fronteira, tradução de Fernanda Costa e Silva e Valeska de Aguirre, 96 páginas, R$ 29,00.


