A virada em outros cantos do planeta
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sábado, 31 de dezembro de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Viajar para conhecer novas culturas são metas comuns que costumam ser renovadas a cada réveillon. Enquanto para muitas pessoas esses objetivos acabam ficando apenas na intenção, outras acabam criando oportunidades para atingi-los já na virada de um novo ano. E quem passou por essa experiência enriquecedora costuma não se arrepender da ousadia.
Inglaterra, Estados Unidos e Ilhas Maldivas estão entre os roteiros explorados pelo casal de professores londrinenses Adriana Pasello e Renato Rodrigues Martins e seus filhos. "Também já passamos a virada do ano em um navio entre a Inglaterra e a Dinamarca e dentro de um avião a caminho da África do Sul", lembra Adriana, que costuma relatar detalhes de suas inúmeras viagens pelo mundo no seu blog Diário de Viagem.

Os destinos visitados pela família na virada de ano renderam boas experiências e algumas vezes pequenas frustrações. "A virada que rendeu a maior expectativa foi a que nos deu menos prazer. Assistimos à queima de fogos da London Eye (a roda-gigante) do outro lado do Rio Tâmisa. Havia gente demais, um absurdo de policiamento, muitos bêbados bem antes das dez da noite e metrôs hiper lotados. Estivemos lá antes de começarem a cobrar ingressos para assistir. A atmosfera é mágica, mas se eu fosse assistir de novo, eu optaria por comprar um pacote em um barco ou em um dos restaurantes com vista para os fogos", desabafa.
Alguns hábitos londrinos chamaram a atenção da professora. "Nada de usar branco ou roupas leves. É super frio nessa época. Na rua vimos pessoas com colares e pulseiras de neon. A bebida oficial é a cerveja e os pubs ficam obviamente lotados. Há centenas de festas fechadas na cidade, para todo tipo de perfil e são cobradas. Para cada uma há uma proposta de vestimenta e de música", detalha.
"Quem tem interesse de passar o Ano Novo em Londres deve programar bem o local onde assistir os fogos. Além disso, no dia seguinte, há um desfile imperdível que se chama "London's New Year's Day Parade". São mais de 5 mil pessoas desfilando, fazendo acrobacias, bandas de música e dançarinos. O evento é gratuito e acontece sempre ao meio-dia do dia 1º de janeiro. Outra tradição londrina é patinar no gelo nos vários rinks instalados na cidade. O mais lindo, na minha opinião, é o de Somerset House", recomenda.
Outro réveillon inusitado vivido por ela aconteceu em Idaho, estado americano localizado na região de montanhas rochosas dos Estados Unidos. "Fizemos uma troca de casa com uma família americana e fomos surpreendidos pelo convite dos vizinhos da casa da frente para passar o ano novo no chalé de montanha da família. O chalé fica a duas horas da capital, Boise. Havia nevado um metro nos dias anteriores e foi desafiante para o Renato dirigir à noite com tudo branco. Chegamos depois das 8 da noite e a temperatura desceu até 18 graus negativos. Foi uma experiência diferente e incrível, para nós e para as crianças. Lá não havia nada de champanhe, a tradição entre os adultos no inverno do Idaho é preparar alguns coquetéis com margherita. O jantar, servido em horário normal, foi um tipo de ensopado, até porque a temperatura pedia algo mais consistente. A programação é escorregar na neve durante o dia e assistir filmes ou brincar com jogos de tabuleiro à noite. Passar um final de ano em um local nevado é sentir-se dentro de um filme americano de Natal. Locar uma casa através do AirBnb ou até mesmo trocar de casa como fizemos é abrir a porta do turismo de experiência que oferece oportunidades únicas como essa", complementa.
Segundo Adriana, seu Ano Novo mais exótico aconteceu nas Ilhas Maldivas. "Depois que chegamos na capital Malé, vindos da África do Sul, ainda tivemos que pegar um barco e navegar por mais de três horas para chegar ao nosso hotel. Foi servido jantar antes da virada. Quase todos os pratos levavam curry, talvez pela influência das cozinhas indiana e do Sri Lanka, países mais próximos das Maldivas. Após o jantar os hóspedes foram para a praia. Como as nacionalidades eram muito variadas, as bebidas que cada um escolheu também eram. O hotel soltou alguns fogos e a maioria voltou para o quarto já que havia programação de mergulho na manhã seguinte", esclarece.
A professora enfatiza que qualquer ilha do Pacífico é um destino excêntrico e que é uma excelente opção para quem deseja entrar no ano novo mais cedo. "Acredito que mesmo os hotéis mais remotos dessas ilhas dispõem de wifi para que os hóspedes brindem, via internet, com aqueles que ainda nem saíram de casa para celebrar aqui no Brasil", ressalta.


