A violência urbana de "Táxi Driver" tem De Niro
São Paulo, 01 (AE) - "Táxi Driver", de Martin Scorsese
é um dos títulos seminais sobre a violência urbana. As cenas de rua, cuidadosamente registradas pela câmera do cineasta, a partir do roteiro escrito por Paul Schrader, dão um tom documental único a esse filme belo e duro. Assim, a saga noturna do anti-herói Travis Bickle (Robert De Niro) é acompanhada por lentes preocupadas em reproduzir o tônus de uma determinada realidade.
Quer dizer, a cidade durante a noite, quando, para usar uma comparação psicanalítica, as defesas sociais encontram-se adormecidas e fica mais fácil o retorno do reprimido. É o ambiente no qual podem vir à tona os impulsos de destruição, a sexualidade refreada, os instintos mais primários. Não por acaso
De Niro interpreta um ex-combatente do Vietnã. Desajustado, ele prefere fugir da luz diurna. Move-se num mundo de sombras, relaciona-se precariamente com os outros, vaga com seu carro pelas ruas.
No entanto, nunca, em Scorsese, você tem o registro puro e simples de uma realidade. Ela aparece transfigurada por determinadas obsessões do diretor, como a culpa e o sentimento de que a redenção pode ser possível - mesmo que seja pelo sangue. Há De Niro, que vê o mal por toda a parte. Há a pequena prostituta, vivida por uma Jodie Foster adolescente, que precisa ser salva. Essa situação dá origem a uma das mais notáveis sequências do cinema contemporâneo, com o taxista desvairado buscando uma improvável purificação do mundo. O catolicismo exasperado de Scorsese está todo aí, nessa série de cenas.





