Fernando de Noronha Em Fernando de Noronha a vida tem outro ritmo, o da natureza. Há temporadas das ondas e do nascimento das tartarugas, o horário que os golfinhos saem para passear e também as palestras do Ibama, uma das únicas atrações noturnas desta ilha, que já foi presídio, paraíso de mergulhadores e hoje é o destino mais procurado por turistas brasileiros, mesmo sendo um dos mais caros também. A 360 quilômetros de Natal e 545 do Recife, cada centavo gasto compensa pelos passeios inesquecíveis, neste arquipélago formando por 22 ilhas. O clima é quente durante o ano todo, mas há duas estações distintas, a das chuvas de janeiro a agosto e a seca, que acabou de começar.
A melhor época para mergulhar, quando o mar está mais calmo, quase um espelho, começa em agosto e vai até outubro. Para os surfistas, a melhor época é entre dezembro e março, quando as ondas estão bem maiores. Os meses mais chuvosos são março e abril.
E como em todo paraíso, em Fernando de Noronha também tem mitos, como por exemplo que é muito difícil conseguir autorização para ir para lá, que as pousadas são horríveis, que a pousada do Luciano Huck está embargada e que o transporte aéreo é feito em aeronaves capengas. Balela. Não é preciso autorização para marcar seu passeio, apenas reservar a hospedagem. Há as pousadas domiciliares com TV, água quente e ar-condicionado, são uma centena, as melhores são Mabuya, Pousada da Jô e Estrela do Mar.
Há pousadas mais requintadas e mais caras também, como a da Morena, do Zé Maria, a Solar dos Ventos e a Maravilha, a famosa pousada do Luciano Huck. Ela é realmente maravilhosa, não está embargada, e um de seus sócios é o José Gaudêncio, o Zé Maravilha, proprietário do terreno e de 40% do investimento fica situada no alto com vista para a praia do Sueste. O local possui cinco luxuosas suítes, cada uma delas com ofurô na varanda. A diária custa US$ 500,00.
Já as aeronaves capengas foram aposentadas e deram lugar a aviões 737 que fazem vôo diários operados pela Varig e pela Trip, vindos de Natal e Recife. No aeroporto, antes de pegar as malas, os turistas preenchem uma ficha que bem que poderia ser distribuída nos aviões com seus dados pessoais, local de hospedagem e tempo de permanência. Com a ficha em mãos, é só aguardar na fila única. Quem optou pelas pousadas domiciliares vai ficar sabendo nesse momento qual será seu destino. Mas pode ficar tranquilo, é possível trocar, se for o caso.
Em seguida, nova fila para efetuar o pagamento da Taxa de Preservação Ambiental do Arquipélago de Fernando de Noronha, criada em 1989. Na verdade, o que ''assusta'' é exatamente o valor da taxa de preservação, cobrada por dia de permanência e paga na chegada (aceitam cartões de crédito, cheque e dinheiro). São 15 ufirs por dia, até o limite máximo de dez dias, quando a taxa aumenta.
Por exemplo, um dia custa R$ 28,10 e 15 dias, R$ 528,83. Os valores podem ser conferidos no site (www.fernandodenoronha.com.br). Se o turista decidir permanecer mais dias do que o previsto, não tem problema, é só pagar na saída o restante. Estão isentos da taxa os habitantes da ilha e quem viaja a trabalho. A Receita Federal destina 100% da verba arrecadada em prol da ilha.
É interessante levar algum dinheiro em espécie para almoço, lanches e presentinhos. O único banco que existe por lá é o Real e o único caixa eletrônico 24 Horas, às vezes está sem dinheiro. Cheques são aceitos sem problemas nas escolas de mergulho e pousadas.
Quem aprecia vôos panorâmicos vai perder o fôlego logo na chegada. Antes de pousar, os pilotos costumam fazer um sobrevôo ao redor da ilha, que proporciona imagens incríveis para quem tiver a sorte de estar sentado nas janelinhas do lado esquerdo da aeronave. A cor do mar é azul turquesa, contrastando com as praias, montanhas e a vila simplesmente um sonho. Dá para avistar perfeitamente o Morro do Pico (ponto mais alto da ilha, com 312 metros de altura) e o Morro Dois Irmãos, próximo à Praia Cacimba do Padre o cartão-postal mais conhecido da ilha.
Durante o vôo, o comandante aproveita para fazer uma introdução ao paraíso sem shoppings. Explica que lá não há crimes, nem pedintes, nem miséria. Que a natureza precisa ser apreciada com responsabilidade, que nada deve ser tirado dela, apenas fotografias, para que nossos netos também possam um dia viajar para lá. Tudo bem, é chavão sim, mas é sempre bom lembrar ao turista o mal que apenas uma guimba de cigarro jogada na praia pode fazer ao frágil ecossistema do paraíso.

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