A VIDA NO FIO DA ESPADA
Estréia hoje no Brasil, Gladiador um dos filmes mais esperados da semana. Produção reconstitui as batalhas romanas no Coliseu
Da Redação
Há tempos o cinema não se dedicava a produções ambientadas na Roma antiga. A temática fez sucesso nos anos 50, sobreviveu a duras penas nos anos 60 e soçobrou nos 70 por motivos financeiros: as produções se tornaram muito caras ao mesmo tempo em que as novas tentavam superar as anteriores.
O gênero sofreu um ostracismo nos estúdios até que Spielberg resolveu retoma-lo em Gladiador, superprodução que estréia hoje em todo o País com direção de Ridley Scott (veja a programação na página 5). No circuito americano, onde estreou há duas semanas, a fita se mantém em primeiro lugar nas bilheterias e faturou até agora cerca de US$ 80 milhões.
Além de resgatar um gênero esquecido, Gladiador traz Russell Crowe como protagonista, o mesmo de O Informante, indicado ao Oscar de Melhor Ator. O papel, anteriormente, foi recusado por Mel Gibson. Outro destaque na trama, é a atriz dinamarquesa Connie Nielsen que vive Lucilla.
O argumento é estratégico. Maximus (Crowe) é um ex-fazendeiro que ajuda o imperador Marco Aurélio em uma importante vitória. Doente, o imperador chama o camponês para substituí-lo no trono após a morte. Aí começam os problemas, pois o trono pertence, naturalmente, ao filho de Marco Aurélio, Commodus, interpretado por Joaquin Phoenix (irmão de River Phoenix).
Revoltado, Commodus assume o trono e promove uma verdadeira perseguição a Maximus, que acaba frequentando uma escola para gladiadores que se enfrentam nas arenas do Coliseu.
A produção é grandiosa e reconstitui cenários gigantescos, como o Coliseu lotado, o Fórum e o Senado. Por isso, as locações foram variadas, incluindo a Inglaterra, a Ilha de Malta e o Marrocos. Mas o orçamento foi auxiliado pela tecnologia digital: o próprio Coliseu foi reconstituído em mais de 50% com auxílio do computador.
A tecnologia também ajudou a contornar um dos principais problemas do filme. O ator Oliver Reed, que interpreta Próximo, uma espécie de treinador de gladiadores, morreu durante as filmagens. Muitos closes foram utilizados, enquanto a imagem do ator foi recriada no computador com a ajuda de um dublê.
Os problemas de Gladiador foram além. Para muitos, o roteiro traz incoerências históricas e excesso de violência travestida de entretenimento os câmeras utilizaram, nas cenas de lutas, recursos das transmissões de luta livre. Ainda assim, a indústria tende a sair com lucros, enquanto o sucesso do filme deve incentivar a produção de outros do gênero.





