Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
O filme ‘‘Os Carvoeiros’’ retrata uma triste mas verossímil realidade brasileira. Ao mesmo tempo, o livro do fotógrafo Marcos Prado reforça a necessidade de programas junto a essas comunidades
Crianças respirando fumaça, entrando em fornos, doentes e sem esperança, são retratadas no filme ‘‘Os Carvoeiros’’, do cineasta inglês Nigel Noble. A estréia aconteceu dia 18 de outubro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em novembro, tem pré-estréia marcada no Rio de Janeiro e entra em circuito nacional, no dia 3 de dezembro.
Um dos aspectos mais dolorosos da realidade brasileira, a vida nas carvoarias do interior do País, inclui também um livro do fotógrafo premiado internacionalmente Marcos Prado. A saga da extração de carvão vegetal a partir da vivência dos trabalhadores são imagens reais e foram captadas em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Amazônia.
Realizado pela Zazen Produções, com coordenação do produtor José Padilha, ‘‘Os Carvoeiros’’, filmado em 16 milímetros, tem duas versões: 70 minutos para o cinema e 50 minutos para a TV, com narração de Paulo José. O investimento foi de R$ 1 milhão e teve patrocínio da Volkswagen do Brasil, Banco Pactual, Telefonica e Monsen, Leonardos e Cia. A bilheteria será doada para o Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef do Brasil.
A rotina dos carvoeiros ainda é desconhecida da sociedade brasileira. ‘‘Podemos dizer que são trabalhadores migrantes, com vidas sofridas e nenhum amparo social. O objetivo do filme é mostrar essa dura realidade, tendo os próprios carvoeiros como protagonistas. Eles contam suas próprias histórias’’, afirma o produtor.
Segundo Padilha, a atividade carvoeira impõe condições desumanas de trabalho, no que ser refere à segurança, moradia, alimentação, vestuário, higiene, trans porte, saúde, lazer e educação. ‘‘Esses trabalhadores são submetidos a esforços físicos descomunais, com jornadas de trabalho que se estendem noite adentro e finais de semana. Ao mesmo tempo eles respiram os gases, fumaças e poeiras dos fornos, além de estarem submetidos ao excesso de radiação solar, ao calor dos fornos, etc’’.
Os pontos altos do filme são os depoimentos dos trabalhadores que passaram a vida em carvoarias e a descrição do trabalho infantil, com crianças que ficam o dia inteiro em contato com os fornos, alheias aos seus direitos infantis. O documentário apresenta, ainda, alguns projetos sérios de erradicação do trabalho infantil nas carvoarias.

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