Com a proposta de proporcionar ao espectador um mergulho intimista numa história aparentemente simples mas que se desdobra em sua complexidade como a própria vida, a montagem "São Manuel Bueno, Mártir", do Grupo Sobrevento, de São Paulo, conta a história de Dom Manuel, um padre que, às vésperas de ser beatificado, duvida da vida após a morte e da própria existência de Deus. Baseado em romance escrito em 1930 pelo poeta e escritor espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936), o espetáculo será apresentado hoje e amanhã, às 20 horas, na Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura UEL, dentro da programação do Filo 2013. Com mais de 25 anos de atuação, o grupo é um dos mais prestigiados na área de teatro de bonecos e animação, sendo que a peça foi indicada para o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) 2012.
Contando com a movimentação de cerca de 50 bonecos em miniatura esculpidos em madeira, a história se passa em uma arena ocupada por uma mesa redonda, que representa o mundo. As peças são movimentadas por três atores como se fossem peças de xadrez ou figuras de um presépio. "Uma série de acontecimentos vão sendo apresentados e o tempo todo o espectador é convidado a completar a história. O fato de ficar próximo aos atores, debruçando-se sobre os bonecos em miniatura, ajuda o espectador a 'olhar para dentro de si', a fazer uma viagem mais intimista e poética, que mostra o drama da própria vida", observa o diretor Luiz André Cherubini, que também compõe o elenco juntamente com Maurício Santana e Sandra Vargas.
Segundo o diretor, a peça é resultado de um estudo técnico do grupo sobre o teatro de objetos e sua potencialidade. "Durante a pesquisa, acabamos abandonando os objetos e optando pelos bonecos em miniatura de madeira, estáticos, que inicialmente foram esculpidos cheios de detalhes, mas que no decorrer da montagem vão ficando cada vez mais abstratos, permitindo o seu 'descolamento' e transcendência", destaca Cherubini. "Por não serem absolutamente figurativos, resultam em 'imagens incompletas' que exigem um esforço crítico, de pensamento, do espectador", acrescenta.
Em um jogo cênico dinâmico e envolvente, o público acompanha detalhadamente a movimentação dos personagens que saltam de uma história registrada em "uma espécie de caderno cujas páginas se molharam", nas palavras do diretor. "Aquilo que parecia claro, vai se apresentando com alguns 'borrões', sentimentos contraditórios e algumas certezas que nascem da dúvida, como o personagem central que chega a virar santo exatamente por não acreditar em Deus", ressalta o diretor.

Leia Também:

- Companhia apresenta obra completa de Ésquilo

- Um parlamento interativo

- O mundo em miniatura

- HOJE NO FILO

mockup