O cineasta Nelson Pereira dos Santos vai filmar a vida do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, importante personalidade da história brasileira. O filme pode também virar um seriado para a TV.
Pai do cantor e compositor Chico Buarque, Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é autor do livro ''Raízes do Brasil'' (1936). O filme seria uma comemoração ao centenário de seu nascimento, segundo Pereira, que se completa no ano que vem.
Pereira é responsável por duas das obras mais significativas do cinema nacional, ''Vidas Secas'' (1963) e ''A Terceira Margem do Rio'' (1992). O cineasta trabalha no cinema desde 1949, mas estreou como assistente de direção em 52.
Na 25 Mostra BR de Cinema - Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - ele exibiu o curta-metragem ''Meu Compadre Zé Ketti'' (12 minutos). ''Zé Ketti é meu companheiro desde 'Rio 40º''', afirmou o cineasta.
Segundo ele, o material recolhido para o curta, patrocinado pela Petrobras, daria para fazer um longa-metragem. ''Pretendo fazer um longa sobre o Zé Ketti, sobre a relação dele com a música, com depoimentos dos amigos, como é o curta.'' O filme sobre Sérgio Buarque de Holanda está em fase de pesquisa e preparação do roteiro, segundo o cineasta, que também fez ''Casa Grande e Senzala'', de Gilberto Freire, e deve ficar pronto em julho de 2002.
De acordo com Pereira, o trabalho de pesquisa histórica é muito difícil. Ele tem sido ajudado pela família do historiador e por arquivos cinematográficos, raros no país.
Entre seus projetos para o futuro, Pereira cita um filme sobre a passagem de Castro Alves por São Paulo, em 1868, durante um ano. O roteiro e a pesquisa sobre o tema já estão sendo feitos, mas o custo da produção é elevado.
''Invento coisas mais viáveis, dentro da atualidade, para não ficar sem fazer nada'', disse Pereira, justificando o fato de ter muitas idéias, mas poucas realizações.
Ele tem também um projeto de um filme cuja história se passa durante a Guerra do Paraguai, em estilo de épico, com batalhas levadas às cenas, e uma história de amor e aventura ambientada em Brasília (DF), cidade onde ele mantém amigos e uma ligação muito íntima, desde que trabalhou na UnB (Universidade de Brasília), em 1968, e onde obteve ajuda financeira para fazer ''A Terceira Margem do Rio''.
Para ele, o cinema brasileiro se afirmou com a herança deixada por gerações anteriores. ''Nosso cinema está muito mais pluralista. Temos muitos filmes, mais realizadores, mais roteiristas, mais atores trabalhando, mas o problema de sempre é a distribuição. Há vitalidade no cinema atual'', disse.

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