A vida do artista em dois momentos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de março de 1997
Mariela de Castro Santos Sucursal de Curitiba 
Teatro, circo, shows musicais, variedades. Seja em que palco for, a vida do artista brasileiro é sempre uma corda bamba. Em duas peças que estréiam hoje no 6º Festival de Teatro de Curitiba - Um Deus Cruel e Piolim - um pouco desses bastidores vem à boca de cena.
O jornalista Alberto Guzik, presença sempre notada em todas as edições do Festival de Teatro de Curitiba (além de fazer críticas dos espetáculos para o Jornal da Tarde, é um dos três curadores que escolhem as peças que serão apresentadas a cada edição) desta vez está mais em evidência do que nunca.
Além das já mencionadas funções, vem este ano também como autor. Um Deus Cruel, uma das estréias de hoje, é o teatro dentro do teatro. É a história de uma companhia teatral e suas aventuras e desventuras para fazer teatro no Brasil. Acostumado a acompanhar o desenrolar do cenário teatral no país, Guzik pôde escrever um texto com conhecimento de causa.
Nem tudo é tragédia no palco, porém, embora as dificuldades sejam sempre o fio condutor da trama. Ri-se muito, no texto. Segundo Guzik, a expressão só dói quando eu rio é a melhor tradução para o espetáculo.
A direção é de Alexandre Stockler, que no ano passado esteve no festival com uma peça clown, e tem no elenco Alexandra Golik, André Boll e Raul Figueiredo, entre outros. Os figurinos são de Cláudia Schapira, aplaudidíssima por sua interpretação e seus figurinos em Violeta Vita, em 96.
Piolim A dureza da vida artística é retratada também em outro espetáculo desta noite, Piolim. Retomando a vida do palhaço Piolim, que estaria comemorando 100 anos se estivesse vivo, a peça transfere para o teatro a magia sob a lona do circo.
Contada por palhaços de agora - o grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões -, que trazem a seu tempo e a seu modo a essência do que representou um artista popular, a história tem o formato de um teatro de revista, com números cômicos e musicais.
q Um Deus Cruel - de Alberto Guzik. Direção de Alexandre Stockler. Teatro da Reitoria, hoje, às 21h30 e dia 23, às 20h.
q Piolim - de Perito Monteiro, com o grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Direção de Neyde Veneziano. Teatro do SESC, dia 22, às 21h30 e dia 23, às 20h.


