A vida de Raul Seixas vai virar documentário. Produzido por Alain Fresnot, de ''Família Vende Tudo'', e seu sócio no projeto, Denis Feijão, o filme batizado ''O Início, O Fim e o Meio'' tem previsão para ser lançado no segundo semestre de 2009. A distribuição deverá ficar a cargo da empresa Paramount. O valor total da produção, aprovado pela Ancine para ser captado, é de R$ 2,5 milhões. Até o momento, já foram captados cerca de R$ 1 milhão. ''Queremos que ele fique pronto em agosto, quando completará 20 anos da morte do cantor'', diz Feijão. Walter Carvalho, que fez a fotografia de filmes como ''Chega de Saudade'' e ''Carandiru'', foi chamado para a direção. Ele se diz empolgado com o projeto. ''É um convite irrecusável. Precisamos apenas coordenar a minha agenda com a de Fresnot. No final do ano, termino a montagem de 'Budapeste' (filme baseado no livro homônimo de Chico Buarque) e, depois, começo a pensar no Raul'', diz. Paulo Coelho foi chamado para fazer a narração, mas o escritor ainda não bateu o martelo.
O documentário trará cenas raras de Raul em ação. Uma delas mostra o momento em que o mentor da Sociedade Alternativa volta aos palcos depois de três anos sem fazer shows. Seu retorno, segundo Feijão, teria sido em Salvador, na Bahia, e contou com a participação do amigo e parceiro de composições Paulo Coelho cantando ''Sociedade Alternativa''. O registro completo dessa histórica apresentação, feita de forma amadora pelo cantor Marcelo Nova, foi restaurado para o documentário. Um trecho de 1,5 minuto desta apresentação já está no YouTube.
Feijão destaca que o roteiro seguirá a pesquisa bibliográfica feita pelo jornalista Gerson Sintoni, publicada nos anos 80 em uma grande revista nacional. ''Não temos um roteiro cinematográfico pronto, mas seguiremos o trabalho de Gerson para nos dar a direção biográfica de tempo e espaço'', diz.
O documentário não terá atores nem cenas recriadas. Exceto por uma dramatização para reconstruir o período de Raul, na Bahia, quando cantava junto com o grupo Os Panteras. Parte das imagens virão dos arquivos das TVs e muito dos materiais inéditos virão do famoso 'baú do Raul', objeto no qual o músico guardava boa parte de seus pertences, cadernos de escola, discos que ouvia e anotações. Atualmente, o baú está em poder de sua ex-esposa, Kika Seixas. Raul teria dito a ela para somente abri-lo após a sua morte. Parte desse material foi publicado em 2005 no livro ''O Baú do Raul Revirado'' (Ediouro), organizado pelo jornalista Silvio Essinger.
No longa entrarão ainda imagens de Raul Seixas compondo e gravando algumas músicas. ''Temos uma riqueza material muito grande, desde as décadas de 60 e 70'', afirma o produtor executivo. As imagens, segundo ele, virão de diversos formatos técnicos, como 8mm, 16mm, U-Matic, betacam e VHS. ''Vamos restaurar isso.''
Participarão com declarações e entrevistas as quatro ex-mulheres do cantor: Edith Wisner, mãe de Simone Seixas; Glória Vaquer, irmã do guitarrista de Raul, Jay Vaquer, e mãe de Scarlet Seixas; Kika Seixas, mãe de Vivian Seixas; e Lena Coutinho, sua última mulher, com quem não teve filhos. Lena é irmã do cartunista Laerte Coutinho e, na faculdade, namorou (antes de conhecer Raul) o atual produtor do filme, Alain Fresnot. Todas, segundo Feijão, autorizaram o uso de suas imagens na produção.
Além disso, o documentário contará também com cenas de músicos como Zé Ramalho, Rita Lee e Jerri Adriani, de produtores das gravadoras por onde Raul passou e, claro, de Paulo Coelho. O mago também teria se mostrado animado com a produção. ''Até o momento, não fechamos com o Paulo, mas é do nosso interesse que ele narre o filme. Ele disse que só vai dar a resposta depois que o filme estiver montado'', afirma Feijão.
A proposta de montagem, segundo o produtor executivo, tentará fugir de um mero documentário jornalístico. ''Queremos trabalhar com uma linguagem diferenciada, com efeitos e animações. As pessoas têm uma carência de saber como ele era nos shows, no backstage, na sua vida particular e nos momentos criativos'', diz.
O envolvimento com cocaína e o vício com álcool, segundo Feijão, também não serão deixados de fora. ''O sucesso e a decadência dele estarão lá. Mas não de uma forma agressiva. Queremos desmistificar o Raul. Hoje, ele é o artista morto que mais vende no País'', afirma.
Kika Seixas, ex-esposa de Raul, afirmou recentemente que cederá para o documentário cerca de seis horas de imagens inéditas do cantor, inclusive do show para mais de 100 mil pessoas que ele fez em Santos, no litoral paulista. Além disso, poderão entrar imagens também de Rita Lee imitando o show que Raul teria feito em Caieiras, no interior de São Paulo. Neste dia, ele teria sido preso, acusado de ser um sósia dele mesmo.

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