A diversidade vai nortear, mais uma vez, o Festival de Música de Londrina (FML). A 23 edição do evento, que será realizado de 6 a 19 de julho, mantém a tendência dos últimos anos de abrigar múltiplas manifestações harmônicas, melódicas e rítmicas em sua programação.
O erudito e o popular recebem igual destaque não havendo primazia de gêneros. Um workshop de hip hop e oficinas de choro, viola caipira, samba e maracatu garantem a pluralidade da proposta. ''Essa é uma das identidades do Festival, uma concepção aberta que procura valorizar todas as vertentes da música brasileira com um olhar atento a todos os movimentos do século 21'' salientou ontem a diretora pedagógica Magali Kleber, durante entrevista coletiva da qual participaram também Norton Morozowics (diretor artístico), Vitor Gorni (assessor artístico), Solange Cristina Batigliana (assessora pedagógica) e Lygia Pupato (reitora da UEL).
A expectativa é de que 1 mil alunos participem do Festival. Entre os destaques da programação figuram o mítico Zimbo Trio, o saxofonista norte-americano Ray Moore, o pianista Dario Galante, o contrabaixista Jorge Oscar, o Quinteto de Sopros Villa-Lobos, o Quinteto de Metais de Minas Gerais, o Quarteto Clássico de Saxofones e o Trio Quintessência (que traz formação inusitada com violoncelo, violão e bandolim). Os chorões Joel Nascimento e Luiz Otávio Braga, velhos conhecidos dos participantes do evento, também retornam nesta edição.
Segundo Norton Morozowics, o Festival inaugura um intercâmbio com o jazz de New Orleans (EUA). ''A presença de Ray Moore vai marcar essa abertura. Ele, como muitos músicos de jazz, é apaixonado pela música brasileira. Já tocou com Pascoal Meireles e outros grandes instrumentistas do país'' diz. Para o bloco das oficinas, foram reservadas as participações dos notáveis Toninho Ferraguti (acordeom) e Wilson das Neves (bateria de escola de samba).
O pianista Ney Fialkow, polonês radicado há 40 anos no Brasil, volta ao FML, desta vez para receber lôas. ''Ele está comemorando 60 anos. Foi um de nossos primeiros mestres, pai de todos os violoncelistas do Paraná. Vamos fazer um recital para homenageá-lo'' adianta o diretor artístico. Novidade no Festival, a cultura hip hop entra na programação através de um workshop incluído no segmento ''Música Aplicada e Tecnologia''.
O tema será desenvolvido pela equipe do programa televisivo Hip Hop Sul, exibido pela TVE do Rio Grande do Sul. Outra novidade do segmento é o workshop ''trilha sonora para teatro'', que será ministrado por Josimar Machado, autor das trilhas dos espetáculos de Miguel Falabela. Também com potencial de chamariz, a oficina de Maracatu / Percussão e Dança traz a cultura popular do Pernambuco para o FML, com coordenação do Mestre Afonso do Leão Coroado.
A programação destaca ainda a montagem do espetáculo ''Gota D'Água'', de Chico Buarque, dando continuidade à ''série'' que já rendeu as peças ''Calabar'' (2001) e ''Ópera do Malandro'' (2002), ambos do mesmo autor. A parte reflexiva será contemplada no IX Simpósio Paranaense de Educação Musical, que antecipa em dois dias (ocorre entre os dias 4 e 6 de julho) o início do Festival. O tema desse ano será ''Educação Musical: Compromisso social'', que abordará as relações da música com os movimentos sociais o chamado ''terceiro setor''.
Para o painel temático foram convidadas as pesquisadoras Elizabeth Lucas (UFRGS), Jusamara Souza (UFRGS) e Regina Novaes (UFRJ). A programação artística, por sua vez, volta a contar com o Cine Teatro Ouro Verde. Reformado, o palco mais nobre da cidade irá acolher concertos e recitais dividindo as atrações principais com o Teatro Marista. Além deles, serão ocupados o Teatro Zaqueu de Melo, o Anfiteatro do Zerão, o Teatro Con-Tour, o Circo Funcart, as praças públicas, a Concha Acústica e o Calçadão.
Paralelamente à região central da cidade, a programação contemplará ainda bairros da periferia abrangendo assentamentos e o distrito de Lerrovile. ''A exemplo do ano passado, vamos tentar levar o Festival também para as cidades vizinhas'' acrescentou Magali. ''Estamos criando público. Em 2002, tivemos uma platéia estimada em 60 mil pessoas em duas semanas. É um fato extraordinário, que pretendemos repetir ou ampliar este ano'' completou Morozowics.
Os organizadores trabalham com uma previsão orçamentária de R$ 650 mil, sendo que R$ 200 mil foram solicitados junto ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), R$ 250 mil ao Governo do Estado, R$ 200 mil ao Ministério da Cultura e R$ 80 mil à UEL. Foi adicionado ainda um montante de verbas oriundo das empresas patrocinadoras Jabur e Colégio Marista.

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