A vez dos mascarados
Claire de Oliveira
France Presse
Um personagem tradicional, King Kong e uma novidade, Pikachu, o mascote principal do desenho animado Pokémon, a série japonesa do momento, disputam o primeiro lugar na venda de máscaras para o Carnaval do Rio.
Estranhamente, é King Kong o que se vende melhor: e não só a máscara, como também os grandes pés e mãos de borracha, com o traje completo feito à base de lã, informa Armando Valles, 75 anos, proprietário da principal fábrica de máscaras do Brasil.
Não há nenhuma razão especial e é inexplicável, com o calor que faz nesta época, que as pessoas queiram se vestir de gorila, diz ele.
Recebi 3.000 pedidos de trajes de King Kong e não poderei entregar tudo, diz este artista plástico espanhol, que chegou ao Rio em 1956 para desenhar bonecas numa fábrica de brinquedos. Quanto ao personagem Pikachu do Pokémon, compreendo porque está na moda, disse Valles, que fez um total de 200.000 máscaras para o Carnaval 2000.
Há dez anos, fazia até 400 mil. Mas as manifestações dos grupos de rua e populares têm perdido cada vez mais espaço para os grandes desfiles das escolas de samba. Além disso, a competição aumentou com duas ou três fábricas de jogos, que agora fazem máscaras na época do Carnaval, segundo ele.
Dos muros internos desta pequena fábrica semi-artesanal de Niterói, saem as mais diferentes máscaras: bruxas, diabos, monstros e personagens políticos brasileiros e internacionais.
O poderoso presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, é a novidade nacional deste ano.O vemos sem parar nos jornais, explica Valles, que emprega 12 pessoas, a maioria delas há mais de 20 anos.
Entre os estrangeiros, o presidente norte-americano, Bill Clinton, é a última novidade, apesar de os clientes preferirem o presidente iraquiano, Saddam Hussein, segundo o escultor diplomado pela Escolas de Belas Artes de Barcelona e Paris.
No entanto, as máscaras de Clóvis (ou bate-bolas) continuam como as mais populares e típicas na folia carioca.
Quando cheguei ao Rio, nos anos 60, encontrei um grande Carnaval popular, mas sem máscaras. Então, decidi fazê-las e desde então as fabrico em borracha, em plástico ou em tecido, conclui Valles.As máscaras vão fazer sucesso no Carnaval deste ano. No Rio, apesar do calor, o peludo King Kong está entre os preferidos dos foliões
France PresseArmando Valles, proprietário de fábrica de máscaras, confere a produção: Saddam Hussein tem boa aceitação no Carnaval





