Quem vê a MTV, já viu Thaíde. Para o grande público, ele é apenas o VJ do programa Yo!, dedicado ao rap. Já para os adeptos do gênero, ele é um dos pioneiros do hip hop nacional, um estandarte do movimento. Thaíde (Altair Gonçalves) é a atração de hoje do Cabaré do Filo (Festival Internacional de Teatro de Londrina).
Seu show começa às 23 horas no Centro de Eventos Maracaju (esquina das avenidas Tiradentes e Arthur Thomas). Ele agora atua em carreira-solo, sem a parceria de DJ Hum, com quem gravou seis álbuns – o último deles, ‘‘Assim Caminha a Humanidade’’, saiu em 2000. A separação foi diplomática. ‘‘Foram quinze anos de uma grande amizade’’ – conta ele. ‘‘Mas chegou uma hora em que decidimos, de comum acordo, tocar nossos projetos individuais, mesmo porque já vínhamos desenvolvendo atividades paralelas. Eu sempre fiz palestras, oficinas, além de apresentar o programa na MTV. Recentemente, passei 15 dias em Cuba participando de um documentário sobre o rap daquele país’’.
Como dupla, eles figuram nos primórdios do hip hop brasileiro. Há duas décadas, batiam ponto no Largo São Bento do metrô, centro de São Paulo, onde se levava o ‘‘rap da lata’’ (ritmo marcado por latas) para o pessoal dançar break. Ganharam respeito pela coerência do trabalho, sem nunca curvar-se a fórmulas fáceis dentro do estilo. Thaíde tornou-se um dos mais enfáticos críticos do que julga ser um desvirtuamento do movimento.
Desconfiado da corrida das gravadoras atrás de artistas de rap, ele não se cansa de diferenciar os apelos do mercado da atitude hip hop, cujos adeptos genúnios dedicam-se a causas sociais em suas comunidades. ‘‘Apesar da popularidade conquistada hoje, os caras precisam levar o rap de maneira mais séria, com maturidade. Tem que haver diversão, mas tem que haver também informação. O rap representa apenas o lado musical, o hip hop é mais amplo envolvendo os quatro elementos – o DJ, o MC, o grafite e o breack – e a conscientização da molecada’’.
Para o show em Londrina, ele traz um repertório revisionista calcado nas músicas que consagraram a dupla, tais como ‘‘Corpo Fechado’’, ‘‘Senhor Tempo Bom’’ e ‘‘Malandragem dá um Tempo’’. Sua equipe inclui o DJ Dri e os backing vocals Lino Crizz e Ieda Hills. Os dois b-boys que costumam acompanhá-lo nos palcos, não poderão vir por estarem escalados para outro evento. Thaíde conta que seu primeiro CD-solo está em fase de pré-produção, ainda sem previsão de lançamento: ‘‘Estou num momento de elaboração de temas e pensando nas pessoas que poderão trabalhar comigo. O DJ Hum, claro, já está convidado’’.
Admitindo desconhecer a cena hip hop londrinense, em franca ebulição, ele diz que está ansioso para ‘‘trocar idéias com a rapaziada’’. Logo após sua apresentação, sobem ao palco os grupos locais Comunidade Tempo Negro e Cuant C. Os ingressos estão à venda a R$ 10,00 na Casa de Cultura (Praça 1º de maio, 118). A programação do Cabaré prossegue com shows de Ana Carolina (amanhã), Nando Reis (terça-feira), Funk como Le Gusta (quarta), Lenine (quinta), Tribo de Jah (sexta) e Beth Carvalho (sábado).
SERVIÇO
Show de Thaíde. Hoje: 23 horas. Local: Cabaré do Filo (Centro de Eventos Maracaju, esquina das avenidas Tiradentes e Arthur Thomas). Convites antecipados a R$ 10,00 na Casa de Cultura – Praça 1º de Maio. 118. Informações: www.filo.art.br/[email protected]. Tel/fax: 55 43 324-8694 / 322-5210.
Leia mais sobre o Filo nas páginas 7 e 8.

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