Porta de entrada para futuros cineastas, a produção de curtas-metragens vem ganhando cada vez mais força em Londrina. A redução de custos gerada pelo barateamento dos equipamentos digitais e a facilidade de divulgação dos filmes por meio da internet têm sido apontadas como responsáveis pelo aumento da safra local. Essas facilidades estão diminuindo obstáculos que eram encontrados principalmente por quem trabalha de forma independente.
"Em 2005, quando abrimos a categoria local dentro da Mostra Londrina de Cinema, a gente tinha que correr atrás dos estudantes que cursavam artes visuais para encontrar possíveis concorrentes. Nos últimos anos recebemos uma média de 30 inscrições a cada edição do evento", compara Bruno Gehring, organizador da mostra promovida há 15 anos pela Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina).
A própria Kinoarte é um bom exemplo desse movimento: criada há 10 anos, já conta com 34 curtas lançados, entre eles a Trilogia do Esquecimento, do cineasta Rodrigo Grota, que ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais - 13 deles somente no Festival de Gramado.
O cenário londrinense é reflexo do que tem acontecido no mundo todo, conforme aponta Luciano Pascoal, professor de linguagem cinematográfica do curso de Artes Visuais da Unopar, coordenador do curso de pós-graduação em cinema, rádio e TV da Faculdade Pitágoras e professor dos cursos da área de comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Atualmente os desafios são cada vez menores para quem deseja produzir um curta-metragem, pois é possível fazer a produção até com câmeras fotográficas que filmam em HD. A edição pode ser feita em um notebook e a divulgação pela internet. Com cerca de R$ 5 mil já é possível comprar os equipamentos necessários para a produção de curtas", calcula.
Para Pascoal, a tendência é que a produção de curtas continue crescendo nos próximos anos. "As novas gerações são muito audiovisuais e acostumadas às linguagens das telas de TV, computador e games. Isso já facilita bastante o convívio com a linguagem cinematográfica quando o jovem demonstra esse interesse", destaca o docente.
Pascoal diz que os curta-metragem (filmes com até 20 minutos de duração) sofriam preconceito até pouco tempo atrás, mas que atualmente está ocorrendo uma maior valorização deste tipo de linguagem. "Hoje em dia as pessoas buscam coisas cada vez mais rápidas e os curtas atendem essa demanda. Antigamente quando a pessoa dizia que produzia curtas logo era questionada se não iria produzir longas. Atualmente há diversos festivais focados nesse conceito e os curtas já fazem parte da programação de canais da TV a cabo, como o Canal Brasil", enfatiza.

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