Curitiba - Todo o trabalho que está sendo desenvolvido pelo núcleo de Música Contemporânea, uma das novidades da 20ª Oficina de Música de Curitiba, poderá ser conferido na terça, às 19 horas, no Teatro Sesc da Esquina. O espetáculo reúne as turmas de Composição, do professor Chico Mello; Teatro Musical, de Daniel Ott; Instalação Sonora, de Brandon LaBelle; e Áudio Nutrição, de Tato Taborda.
Com curadoria do paranaense Chico Mello, que mora há 15 anos na Alemanha, e atualmente vive também no Rio de Janeiro, o núcleo de Música Contemporânea da Oficina conta com cerca de 50 alunos e já é uma experiência bem sucedida. ‘‘Os alunos estão entusiasmados com os cursos a que normalmente não têm acesso’’, diz.
Ele refere-se, por exemplo, às aulas de Teatro Musical, que misturam música, dança e teatro, promovendo uma interação total entre eles. A turma ministrada pelo companheiro de Mello, o alemão Daniel Ott trabalha a Música Contemporânea para Teatro dos últimos 50 anos, a partir de extratos da obra de John Cage, D.Schnebel, Maurício Kagel e Hans Wuthrich, entre outros. ‘‘No concerto, interpretaremos ainda um pouco da obra de Fernando Pessoa’’, diz Ott.
Pela primeira vez em Curitiba, o alemão, que é professor da Universidade de Artes de Berlim, elogia a Oficina e diz que ela é uma interessante reunião de talentos diversos, vindos de lugares variados do mundo. ‘‘Isto possibilita um ótimo intercâmbio de informações entre toda esta gente’’, afirma.
Chico Mello também diz estar satisfeito com a formatação do núcleo de Música Contemporânea. ‘‘Estamos mostrando que estes cursos não são inacessíveis, apesar de serem pouco conhecidos por aqui’’, diz. Sobre o que será apresentado no concerto de terça, ele faz mistério, mas avisa que é o resultado de tudo o que está sendo trabalhado em classe.
‘‘O que a turma de Instalação Sonora, por exemplo, irá apresentar ainda é uma incógnita até mesmo para mim’’, explica. Os seus próprios alunos, de Composição, devem mostrar peças elaboradas por eles durante a Oficina. ‘‘Nas aulas, trabalhamos muito a articulação e produção de sons’’, explica Mello.
Para isto, a discussão estética é estimulada, assim como a realização de trabalhos que abordem aspectos técnicos, como o serialismo, elementarismo, minimalismo e colagem. Durante as oficinas, os alunos estão se descobrindo e apostando na criação de novos sons que saem de palmas, ruídos feitos com a boca, pegadas e batidas feitas com lápis e canetas. A criatividade está sendo amplamente estimulada como forma de fazer os alunos aprenderem a reconhecer a sonoridade existente em todos os lugares.
Sobre a situação da Música Contemporânea no Brasil, o músico é bem claro ao admitir que falta estímulo ao gênero. Para ele, o processo de falta de criação na área vem de fatores interligados. Como não há muitos grupos formados, não há divulgação e vice-versa. A realidade de falta de músicos contemporâneos brasileiros é exatamente o contrário do que acontece na Alemanha. Segundo Chico Mello lá há uma infinidade de concertos de música contemporânea o tempo todo. Ele próprio se divide entre a residência em Berlim e a carioca em função de uma agenda de shows que faz naquele país.
Serviço -
Música Contemporânea - com as turmas dos professores Chico Mello, Daniel Ott, Brandon LaBelle e Tato Taborda. Dia 15, terça-feira, às 19 horas. Teatro Sesc da Esquina. Entrada Gratuita

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