A versão brasileira do ska
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Fabiano Camargo Curitiba 
O revival do ska, ritmo jamaicano que participou da gênese do reggae, está ganhando sua primeira grande tacada em solo brasileiro. Chega às lojas de discos a coletânea Ska Brasil (Paradoxx Music), que agrupa cinco boas bandas dedicadas às diferentes tonalidades que o estilo tomou desde sua criação, no final dos anos 50. Skuba e Boi Mamão, de Curitiba, integram o CD, junto com Skamoondongos e Manuels, de São Paulo, e Mr. Rude, de Belo Horizonte. Um show realizado no Forum, em Curitiba, deu uma prévia do álbum.
Todas as bandas deste Ska Brasil vestem com estilo a camisa do ska e apresentam vários hits em potencial. As três faixas gravadas pela Skuba, entretanto, saltam aos ouvidos e se destacam. A banda conseguiu unir o clima oriundo do seu início underground e punk com uma roupagem bem dançante. Longe de procurar o confinamento de um gueto musical, a Skuba faz um som que diverte mesmo quem nunca ouviu falar em ska.
Diversão certa, o som do septeto (recentemente reformulado com a entrada do vocalista Sérgio Soffiati, ex-Sr. Banana, do baixista Fabiano Cordoni e do guitarrista Juninho), tem tudo para angariar um público cada vez maior, embalado pelo teor alcoólico e recheado de humor das letras. A modificação na formação, contrariando algumas desconfianças surgidas na cena local, não alterou a alma da Skuba, que continua afiada e ligada na energia primordial do ska. Soffiati pode não ter a mesma pose punk do seu antecessor, Mauricião, mas canta melhor.
As músicas Triado, primeira música da banda a aparecer na coletânea, é um hit em potencial. Narrando as aventuras decorrentes de um porre fenomenal no imaginário Bar do Amadeu, deixa claras as intenções musicais da banda: misturar as raízes do ska com uma pegada mais pesada. Além de Triado, o grupo gravou também Garota Regional (uma brincadeira com Garota Nacional, do skank) e uma versão enfezada para o sucesso da década passada Sou Boy, da banda Magazine (lembra?).
A Boi Mamão, exibindo a inquietação de sempre, também brilha no CD. Bola 8, que, como Triado, do Skuba, já tem clip rodando na MTV, gruda nos ouvidos como chicletes na sola do sapato em dia de calor. Trabalho, uma ode ao ócio, e a regravação para Eu Gosto É de Mulher, do Ultraje a Rigor, fazem a peteca continuar no ar com competência. Sem o virtuosismo de outros tempos, a banda está numa nova fase. O ska e toques de rock pauleira se miscigenam na medida certa no seu novo repertório.
A trinca estrangeira que completa o CD apresenta outras abordagens para o ska. O Skamoondongos, de São Paulo, que abre o disco com Ska com Maracatu, acrescenta elementos da música brasileira à mistura baseada no ritmo jamaicano. Entre estes ritmos, está o samba e o próprio maracatu. Mr. Rude, de Minas Gerais, tem como destaque principal a faixa Oh! Não, com refrões e riffs ganchudos. Os músicos também acertaram a mão na versão para Patrulha Noturna, dos Paralamas do Sucesso. A banda tem um forte sotaque pop, no melhor sentido do termo.
Entre as melhores versões apresentadas no disco, contudo, está Negro Gato, sucesso de Roberto Carlos também conhecido pela gravação de Luiz Melodia. Os autores são os Manuels, de São Paulo. Sei Que Não Sei Dançar e Food Is Good, as duas outras faixas da banda na coletânea, confirmam o poder de fogo do grupo. O disco Ska Brasil traz, definitivamente, cinco bons motivos para ser muito bem recebido.


