Após a estréia de ‘‘O Senhor dos Anéis’’, comentou-se que tamanha magia não ocorria nas salas de cinema havia muito tempo. Eis uma lacuna que o DVD preenche em boa hora - o lançamento de ‘‘Fuga das Galinhas’’ (Chicken Run, ING, 2000), praticamente um ano após sua exibição nos cinemas, traz aos espectadores um verdadeiro encanto estético - o intenso prazer que uma história simples, contada sob uma ironia sofisticada, proporciona ao público.
O filme foi concebido pela dupla inglesa Peter Lord & Nick Park, os mesmos criadores de outra parceria impagável - Wallace & Gromit. Nessa sátira ao eterno conflito das paixões humanas, os diretores traçaram personagens tão autênticos quanto os traços galináceos de seus heróis.
Os fãs das aventuras baseadas em fugas históricas, como ‘‘Fugindo do Inferno’’, de John Sturges, e ‘‘Papillon’’, de Franklin J. Schaffner, irão se apaixonar pelo herói desastrado Rocky, realçado pela voz de Mel Gibson. Os extras do disco mostram como a equipe da Aardman realizou um autêntico experimento estético no universo cada vez mais raso dos filmes de entretenimento. Além dos comentários dos diretores, a Dreamworks preparou dois documentários sobre a técnica fascinate do stop motion (filmagem quadro a quadro), que impõe ao artista o artesanato como única possibilidade criativa. E o resulato... é magnífico.
Lançamento: Universal. Duração: 84 minutos.

Musical moderno ou farsa da MTV?
Poucos filmes exigem da crítica e do espectador um olhar mais atento em seus pormenores. Em um primeiro momento, o último trabalho do diretor Baz Luhrmann, ‘‘Moulin Rouge’’, imprime ao público uma imagem de musical ousado, com montagem hiperfragmentada e visual kitsch sofisticado. O vermelho que reina no cabaré parisiense é símbolo de sua principal estrela, a Satine emblematizada por Nicole Kidman.
Em uma segunda avaliação, após esse lançamento simultâneo em vídeo e DVD, o filme realça sua principal força - o poder de preservar em sua trama um ritmo lúdico, doce, sublime de paixões tão intensas quanto exageradas. Essa nostalgia a um romantismo hoje ignorado faz de ‘‘Moulin Rouge’’ mais do que um grande experimento pop, de uma busca por uma linguagem composta por átimos de celulóide. Torna o filme uma grande homenagem ao passional, a tudo aquilo que não compreendemos e mesmo assim assimilamos, perpetuamos e fazemos questão de ignorar. Uma motivação que nos impele à vida, mesmo que ela nos destrua. Enfim, uma obra barroca no exagero, moderna na montagem e ousada nos figurinos e números preparados para a doce dupla Ewan McGregor e Nicole Kidman. Aproveite!
Lançamento: Fox. Duração: 126 minutos.

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