A velha luta entre o bem e o mal
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Da Redação com agências 
Jack English/DivulgaçãoBruce Willis, em cena de O Quinto ElementoDe um lado, o universo. Do outro, um elemento constituído poruma antienergia que aguarda uma oportunidade para exterminar todas as formas de vida. A cada cinco mil anos, uma porta se abre entre essas duas dimensões. A cidade é Nova York, século 23. É preciso encontrar rapidamente um homem - na verdade um herói - capaz de destruir a ameaça alienígena. Esse homem é Bruce Willis, um motorista de táxi do futuro. O filme, O Quinto Elemento, a produção mais cara já feita na França e que estréia hoje em todo o território nacional (veja programação de cinema na página 3). A direção é de Luc Besson, que está no Brasil para o lançamento.
Trata-se de uma obra de ficção científica com muita ação e aventura. Não poderia ser diferente, já que o protagonista é Bruce Willis. E cabe a ele, na pele de Korben Dallas, tentar salvar a humanidade. Para conseguir isso, o herói terá que recuper uma pequena estátua que simboliza a vida e que desapareceu de um templo, no Egito antigo. O objeto, aliado aos quatro elementos que compõem a natureza - terra, fogo, ar e água - permite abrir as portas para as diferentes dimensões.
É a manjada luta entre o bem e o mal. E, como tal, a justiça e a bondade triunfam e todos vivem felizes para sempre. O final feliz só é possível depois que o destemido herói passa por situações arriscadas, convive com estranhos personagens, criaturas futuristas e máquinas surrealistas e, principalmente, distribui saraivadas de bordoadas em vilões e afins.
Obviamente não poderia faltar uma marcante presença feminina no filme. A beleza da vez é a atriz Milla Jovovitch, uma sexy extraterrestre de cabelos vermelhos que encarna o quinto elemento. É ela que, quando aciona um interessante mecanismo, coloca em processo as forças capazes de anular a força destruidora do mal. E por falar em mal, o grande vilão é Gary Oldman, que dá vida a Zorg. Outro protagonista, Ian Holm, interpreta Cornelius.
Criar fantasiasO Quinto Elemento veio ao mundo em clima de glamour. Sua estréia mundial aconteceu no último dia 7, na abertura oficial do 50º Festival Internacional de Cinema de Cannes, e dividiu opiniões - afinal não é bem um filme que se esperava para um evento deste porte. Mas tem seus atrativos, de acordo com alguns críticos que assistiram o avant-premier , como a violência das imagens, o som quase ensurdecedor e a imaginação do diretor e roteirista. Sem contar os figurinos de Jean Paul Gaultier e a trilha sonora de Eric Serra.
Claro, o filme tem tudo para ter uma boa bilheteria por causa da grife Bruce Willis e do charme e talento de Gary Oldman. Não bastasse isso, O Quinto Elemento tem influências fincadas em sucessos como Blade Runner e O Vingador, dois exemplos de ficção científica consagrados por Hollywood.
Outra atração é o diretor, Luc Besson, considerado o Steven Spielberg da França. Pertencente à nova geração do cinema francês, ele já produziu algumas pérolas como Imensidão Azul, Nikita e O Profissional. Seu estilo é o neobarroco, uma classificação genérica que abrange os novos cineastas vindos da publicidade e do videoclipe.
Durante a entrevista coletiva, às vésperas da exibição do filme em Cannes, Besson disse que demorou alguns anos para conceber o novo trabalho por se tratar de uma ficção científica. O cineasta aproveitou a ocasião para dizer também que não está nem um pingo interessado na opinião dos críticos a respeito de seu novo trabalho.
Quanto ao alto custo da produção (US$ 90 milhões, o filme francês mais caro de todos os tempos), Besson foi enfático: É preciso dinheiro para criar fantasias, para proporcionar duas horas de entretenimento para o público- disse ele. O Quinto Elemento estreou semana passada nos Estados Unidos, graças à aquisição por parte da Sony Columbia que pagou a bagatela de US$ 25 milhões.


